04
dez
08

dissolving brands

nunca fui de vandalismo.

acho que em toda minha vida devo ter participado de no máximo um ou dois episódios de depreciação do espaço público ou privado de alguém que não eu. apesar de ter vários amigos que passaram pela fase de pichar ruas, muros e monumentos, eu nunca fui dessa turma. nunca vi arte nisto, e especialmente no caso das obras primas de meus amigos, ainda não vejo.

fato é que, de um tempo para cá, artistas plásticos de verdade vêm utilizando das mesmas ferramentas e técnicas de vandalos grafiteiros e e pixadores para criar um tipo de arte cada vez mais valorizada: a street art.

a street art é basicamente uma intervenção estética no espaço urbano. trazer o inusitado para o cotidiano das pessoas por si só já seria um grande favor na quebra da rotina mental de milhares de trabalhadores que vem e vão pelas ruas, como que convidando as pessoas a pensar diferente ao expô-las ao improvavel. mas alguns artistas vão além disso e transmitem mensagens arrebetadoras, que torna o questionamento do status quo algo completamente inevitavel.

é o caso do artista francês conhecido como ZEVS. inicialmente ele ficou conhecido na frança pelas intervenções urbanas em paris, as famosas sombras melancolicas pela cidade da luz, e posteriormente por sequestrar ou assassinar as fotos de modelos em peças publicitárias em berlim, o que ele chamava de “visual kidnapping”.

esta semana ele está em zurich, numa exposição chamada “visual attack”, onde ele faz intervenções artísticas em logotipos e peças publicitárias, quando suas intenções em relação ao que ele busca despertar ficam ainda mais claras.

vandalismo? talvez. muito do que é feito é ilegal, e pode ser considerado crime. mas arte acima de tudo por despertar o senso crítico, por levar os espectadores, voluntários ou não, a uma zona de desconforto dos sentidos e da moral, por reverter lógicas e quebrar rotinas visuais. somente nesta zona acontece as transgressões na consciência, e somente a estética pode nos levar a uma transformação abaixo da razão.

e esta exposição especifíca ainda é mais adequada num tempo em que o capitalismo esta se liquifazendo em crise, dissolvendo crenças, dogmas, colossos e marcas. num tempo em que pessoas, empresas, marcas e países terão de reinventar.

para quem estiver around:

Visual Attack
Gallery de Pury & Luxembourg
Limmatstrasse 264
8005 Zürich, Switzerland maps
tel. +41 44 276 8020


2 Respostas para “dissolving brands”


  1. 1 Marcos
    dezembro 6, 2008 às 1:22 pm

    esse é um dos meus grandes interesses recentes. Street (ou Guerilla) Art.

    O meu preferido é – também – o mais conhecido. Provavelmente o meu artista preferido, Banksy – http://www.banksy.com

    E o pioneiro, quem começou isso há uns quase 30 anos é um parisiense chamado Blek le Rat – também muito bom.

    beijos

  2. 2 Tuca
    dezembro 18, 2008 às 7:05 pm

    Cara,

    Achei esse cara incrível! Nada mais apropriado para o momento que o mundo está se dissolvendo que um pouco de vandalismo.

    A


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