17
abr
09

black is power, black is beautiful

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O Hip Hop é a celebração da cultura de periferia que venceu. Por tudo e apesar de tudo, venceu, é dominante e extrapolou os limites do Harlem e da MTV. Hoje o palco da cultura hip hop é o mundo, e um dos mais interessantes retratistas dessa cultura e linguagem é o artista plástico Kehinde Wiley, que abriu aqui em Los Angeles, no sábado, sua exposição “World Stages: Brazil”

Nascido em Los Angeles, estabelecido no Harlem em NY, Wiley é negro e só pinta negros. Retratos heróicos do status e da força que sua raça tem na cultura contemporânea. As pinturas, em telas muitas vezes enormes, espantam pelo realismo, e tanto em relação às referencias quanto pela técnica, são influenciadas pelas obras de arte renascentistas. Mas dá um passo além dos italianos: – Wiley agora coloca o negro no centro do universo. Black is Power, Black is Beautiful.

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E como todos que se propõem a colocar-se no centro do universo, o resultado acaba muitas vezes por soar arrogante. O que enquanto arte não é ruim. E aproxima ainda mais seu trabalho do Hip Hop, um genero que na sua própria definição  “it’s about people who were left out, people who want to sort of push their egos out into the world and have this bombastic, self-pleasing, misogynistic presence”.

Nesta exposição com foco no Brasil, Wiley retratou negros e mulatos cariocas, utilizando suas próprias roupas, mergulhados em estampas vibrantes, na maioria florais, num universo plástico urbano e barato . Morro, praia, carnaval e Flamengo claramente presentes. O resultado visual é uma apoteose de cores e expressão. É Brasil, mas vai além.

Observando toda a obra de Wiley, que navega por inspirações como o Hip Hop, o Harlem, a Africa e agora esta série no Rio de Janeiro, fica claro que a unidade de seu trabalho esta na capacidade de captar no negro um certo olhar de orgulho, um olhar que provoca, desafia, brinca. Um olhar com a força e a arrogância dos vencedores. Diferente do mais comum em Salvador, Havana ou New Orleans, é um orgulho negro desgarrado da matriz africana. O mérito deste olhar é consequencia do agora, não de quanto eles têm no bolso, mas do que eles representam na cultura hoje. A cultura do gueto que venceu.

Kehinde Wiley
The World Stage: Brazil
April 4 – May 30, 2009
Opening Reception Saturday, April 4th, 6 – 8pm

ROBERTS & TILTON
5801 Washington Boulevard
Culver City, California 90232
T 323.549.0223

[ publicado originalmente na minha coluna na www.onspeed.com.br ]


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