Posts Categorizados ‘cronicas

09
set
09

El Kindle de Arena

Infinite_by_emyy91

O conceito parece retirado de um conto de Borges: “A linha consta de um número infinito de pontos, o plano, de um número infinito de linhas; o volume, de um número infinito de planos, o hipervolume, de um número infinito de volumes…” Todo conteúdo de todos os livros e publicações do mundo disponíveis à distancia de um botão. Poderíamos estar falando do Kindle, mas infelizmente não é o caso.

O aparelho em si é genial. Poderia ser tudo isso que Borges sonhou. É mais fino e mais leve que qualquer livro de Gabriel Garcia Marques. A leitura, numa tela opaca branca com letras negras agride menos os olhos do que as páginas daquelas edições mais luxuosas da Cia das Letras, e é bem mais confortável do que um pocket book. A satisfação é instantânea: você quer o livro, encontra facilmente, compra e em pouco mais de 2 minutos ele já esta totalmente disponível para leitura.

O Kindle está para a literatura assim como o iPod para a música. Tudo num só lugar, organizado, disponível e prático. Lembro do tempo em que fiz um mochilão na Europa e que além de ter que escolher livro pelo peso, ia fatalmente os largando pelo caminho. Agora tudo cabe numa tela. Além de livros, também recebemos os jornais que assinamos todos os dias pela manhã via wireless. Revistas? Todas as semanas antes de chegarem às bancas. Blogs preferidos também podem ser acessados pelo livro de areia. Tudo cabe numa só tela.

Mas nem tudo são flores. O Kindle só utiliza conteúdo adquirido através da Amazon. Livros para Kindle tem preços apenas um pouco mais baixos do que os impressos em papel. Assinaturas em Jornais e Revistas em alguns casos são mais caras, em outros não. Blogs, que na internet são de graça, no site da Amazon são vendidos por uma assinatura de aproximadamente U$ 2,00 por mês. Arquivos em PDF, Word ou qualquer outro podem ser lidos também no seu Kindle, mas antes disso têm que ser processados pela Amazon por uma pequena taxa de U$ 1,99. Controle de qualidade?

Sinceramente não acho. Com o Kindle eu não posso emprestar o livro que comprei para um amigo, ele só funciona no meu aparelho e não pode ser compartilhado. Também não posso ler arquivos em PDF, Word, Text ou qualquer outro sem antes pagar o módico pedágio de U$ 1,99 para a Amazon. Além disso, o Kindle não me ajuda a completar a biblioteca de minha casa, ainda um rascunho do que era a biblioteca de meus avós e de meus pais, que hoje caberiam num HD Externo dentro de uma gaveta.

O mundo esta tornando-se digital, é um caminho sem volta. Mais cedo ou mais tarde todos teremos um eBook. Há outras opções menos fechadas no mercado como eReader da Sony, que já tem mais de 100 mil livros no acervo e que costura um acordo com o Google ou o cool e indie Cool-er, que aceita todos os tipos de arquivos, mas nada ainda tão prático e funcional como o Kindle.

Voltando a Borges: “O verão declinava e compreendi que o livro era monstruoso. De nada me serviu considerar que não menos monstruoso era eu, que o percebia com olhos e o apalpava com dez dedos com unhas. Senti que era um objeto de pesadelo, uma coisa obscena que infamava e corrompia a realidade.” Se a internet é realmente a nossa Biblioteca de Babel, o Kindle – apesar de nos mostrar um caminho – sem dúvida ainda não é a ferramenta certa para desvenda-la. Por enquanto, só nos resta esperar pelo inevitável.

30
jun
09

Thriller

MJ

Não gosto do Michael Jackson.

Para ser ainda mais sincero, ele desapareceu para mim depois das inúmeras acusações e suspeitas sobre seu relacionamento com as crianças que ele levava para conhecer o rancho Neverland, sua casa e parque de diversões. Mudar de cor, contrariar dívidas e mais dívidas, expor seus filhos, muito disso pode ser perdoado, mas há limites.

Já não posso falar o mesmo em relação a sua obra. Michael Jackson foi a primeira criança e o primeiro negro a tornar-se universalmente POP. Ele mudou todos os padrões da industria do entretenimento. Nunca ninguém, nem mesmo os Beatles, conseguiram chegar a marca estimada de 70 milhões de discos vendidos em todo o mundo com apenas um album, Thriller, em 1982.

Sempre muito tímido fora dos palcos, quando entrava em cena se transformava. Não era mais Michael, o menino inseguro com medo de crescer. Era Michael Jackson, o Rei do Pop. Voz, dança, movimentos, passos, tudo era novo e tudo era só dele. Reconhecido pelo Guiness Book como o mais bem sucedido astro do entretenimento de todos os tempos, com 13 grammys e 750 milhões de discos vendidos em sua carreira, Michael Jackson é imbátivel. Mas há o outro Michael.

Quando saiu a notícia de que ele teria tido um enfarte fulminante e estava internado a poucos metros de minha casa, no hospital da UCLA, não pensei duas vezes e fui até lá acompanhar este momento inesquecível para a história da Música.

Além do circo da imprensa, havia muitos fãs ao redor, com maquinas digitais, telefones celulares, captando imagens, informações e transmitindo pelo mundo através de suas respectivas redes sociais. Pequenos iPods com caixas de som portáteis por toda parte tocavam músicas que foram lançadas há pelo menos 25 anos.

Vi um grupo de estudantes, todos com não mais de 15 anos de idade, repetindo a coreografia de Thriller em frente ao hospital. Crianças vestidas com chapéus e luvas passeavam no colo dos seus pais. Pessoas do mundo inteiro com cartazes, capas de discos, velas acesas. Um pouco mais a frente, um sósia chamava a atenção de todos ao repetir o clássico moonwalk.

Por que estavam ali? Por gostarem de Michael Joseph Jackson? Acho que não. Aquele ser humano talvez não merecesse tudo isso. Estávamos ali para nos despedir do homem e abraçar sua obra. Como todos, ele errou muito, mas sua música, dança e performance estão acima de qualquer julgamento moral ou criminal. É arte e é para sempre. Na quinta-feira Michael libertou sua obra dele mesmo.

20
mar
09

utopia

obama-and-muslim-women1

sou um cético romantico.

mas algumas coisas que vi esta semana aqui nos estados unidos de alguma forma fizeram com que eu tivesse mais fé na humanidade, ou melhor, fé no poder que cada individuo tem a partir do momento que resolve exercê-lo.

primeiro, obama, sempre obama. sua mensagem para o povo mulçumano, em especial ao iran, supera qualquer expectativa que jamais pude ter em relação a atitude que se deseja de um líder global. é clara, simples, direta, olhos nos olhos, e acima de tudo: – inspiradora. atitudes como esta de obama demonstram que o homem mais poderoso do mundo pode colocar toda sua força bélica, economica e política de lado e utilizar-se apenas – para quê mais – do dialogo. nada mais. olhos nos olhos e diplomacia.

apesar de o iran ter respondido solicitando ações mais práticas, acredito que este video de obama foi o primeiro passo prático, como que para dar o tom que todos que participam do governo terão de usar nas relações com o iran. sem dúvida esta talvez seja a mudança mais importante: mudar o tom.

2006-12-04_dalia_headshotoutro exemplo na Time desta semana:  Dalia Ziada. a egipsia hoje com 26 anos, desenvolve um trabalho incrível desde criança pela liberdade de expressão das mulheres e de perseguidos políticos. ainda no início traduziu e distribuiu 2.000 copias de histórias em quadrinhos sobre martin luther king jr. e em novembro último promoveu o primeiro festival de cinema dos direitos humanos em cairo. na última hora ela foi impedida de realizar no teatro previsto, e alugou um barco para fazer o evento de qualquer jeito, mesmo que fora do território egipsio.

o que há em comum nos dois casos? a possibilidade de inspirar mais e mais pessoas a agir de forma diferente. seja mudando o tom do tratamento de um assunto, seja suavemente tratando de outro assunto. seja dando o primeiro passo e inspirando outras pessoas a fazer o mesmo.

por conta de todo ceticísmo que ainda há em mim, acabo por aguardar os fatos quando deveria já estar comemorando. fato que, tendo como horizonte uma utopia ou não, a mudança já começou.

17
mar
09

redemption

somos racistas.

somos vítimas de estereótipos culturais históricos. somos vítimas de um preconceito inconsciente colocado e reforçado diariamente em nossas mentes. como o doente que não mais sente a própria perna, nós continuamos a nos ferir, exatamente por não sentir a dor.

disfarçado de boas intenções, camuflado em sorrisos amarelos, transformado e renomeado ‘preconceito social’. vitimas de um perigoso e injusto silogismo. brancos, amarelos, pardos ou negros temos a ilusão de um controle que não temos.

esta consciência, que por um lado parece nos redimir, na realidade aumenta ainda mais nossa responsabilidade em relação ao futuro. se “liberdade é conhecer os condões que nos manipulam”(spinoza), redenção é de alguma forma lutar contra eles.

“emancipate yourselves from mental slavery, none but ourselves can free our minds.”(marley)

a consciência do problema já está ai. a questão agora é: – o que vamos fazer com ela?

é a consciência com atitude que nos define.

[a sugestão deste vídeo veio do blog do zeca]

04
dez
08

dissolving brands

nunca fui de vandalismo.

acho que em toda minha vida devo ter participado de no máximo um ou dois episódios de depreciação do espaço público ou privado de alguém que não eu. apesar de ter vários amigos que passaram pela fase de pichar ruas, muros e monumentos, eu nunca fui dessa turma. nunca vi arte nisto, e especialmente no caso das obras primas de meus amigos, ainda não vejo.

fato é que, de um tempo para cá, artistas plásticos de verdade vêm utilizando das mesmas ferramentas e técnicas de vandalos grafiteiros e e pixadores para criar um tipo de arte cada vez mais valorizada: a street art.

a street art é basicamente uma intervenção estética no espaço urbano. trazer o inusitado para o cotidiano das pessoas por si só já seria um grande favor na quebra da rotina mental de milhares de trabalhadores que vem e vão pelas ruas, como que convidando as pessoas a pensar diferente ao expô-las ao improvavel. mas alguns artistas vão além disso e transmitem mensagens arrebetadoras, que torna o questionamento do status quo algo completamente inevitavel.

é o caso do artista francês conhecido como ZEVS. inicialmente ele ficou conhecido na frança pelas intervenções urbanas em paris, as famosas sombras melancolicas pela cidade da luz, e posteriormente por sequestrar ou assassinar as fotos de modelos em peças publicitárias em berlim, o que ele chamava de “visual kidnapping”.

esta semana ele está em zurich, numa exposição chamada “visual attack”, onde ele faz intervenções artísticas em logotipos e peças publicitárias, quando suas intenções em relação ao que ele busca despertar ficam ainda mais claras.

vandalismo? talvez. muito do que é feito é ilegal, e pode ser considerado crime. mas arte acima de tudo por despertar o senso crítico, por levar os espectadores, voluntários ou não, a uma zona de desconforto dos sentidos e da moral, por reverter lógicas e quebrar rotinas visuais. somente nesta zona acontece as transgressões na consciência, e somente a estética pode nos levar a uma transformação abaixo da razão.

e esta exposição especifíca ainda é mais adequada num tempo em que o capitalismo esta se liquifazendo em crise, dissolvendo crenças, dogmas, colossos e marcas. num tempo em que pessoas, empresas, marcas e países terão de reinventar.

para quem estiver around:

Visual Attack
Gallery de Pury & Luxembourg
Limmatstrasse 264
8005 Zürich, Switzerland maps
tel. +41 44 276 8020

30
nov
08

do nada, cronista


dentre todos os privilegios dos cronistas, o mais interessante deles é poder escrever a partir do nada, a partir da não idéia, da não inspiração, da falta de assunto. é um exercício masturbartório de metalinguagem que pessoalmente me cansa, sinto me repetitivo ao começar um texto sem saber o que escrever, e pior: – sinto-me meio picareta.

não sei se a classificação certa é picaretagem. acho até que não. mas a pergunta é: – se não tenho o que escrever, por que cargas d’agua estou escrevendo? o texto deve vir de uma idéia, de um raciocínio irresistivel, de um sentimento, de uma necessidade, de uma motivação qualquer. qualquer que seja ela. na pior/melhor da hipoteses -pode surgir por dinheiro.

e é normalmente esse o motivo que faz com que os cronistas escrevam sobre a falta de assunto: porque eles recebem por uma quantidade e periodicidade de textos, e nem sempre os prazos de fechamento das publicações acompanha a criatividade e o surgimento de temas novos e relevantes. este não é tanto meu caso, já que meu ofício por enquanto é voluntário, e portanto, não remunerado.

não é que faltem assuntos.

poderia estar escrevendo sobre o ultimo filme de woody allen, e sobre como e porque eu nunca havia assistido um filme de woody allen. daria uma ótima crônica. ou então sobre john lennon, minha fonte inesgotável de inspiração e tema da minha última e definitiva tatuagem. ou ainda sobre a bahia, já que é neste solo em que me encontro, mas ultimamente ando meio cismado com a baianidade.

queria muito escrever sobre a obra de paulinho moska que, junto com lennon, ultimamente tem alimentado meus mind games. mas ainda não me sinto capaz para isso. quero também dar sequencia ao ultimo conto que comecei a escrever, contudo de alguma forma tenho a sensação de que ele já esta acabado, exatamente por não ter continuidade. as vezes a gente só se transforma quando fica no ar.

nunca pensei em escrever sobre obama, muita gente boa já fez, e continua fazendo este papel. nem sobre os ataques terroristas na india, nem sobre a briga de luana e dado ou sobre a volta do casamento de lazaro e thais. falando em lazaro, se eu não fosse totalmente suspeito, até faria bem ao meu ego falar sobre a trilha sonora de “ó paí, ó”. minha falsa modéstia me impede de fazê-lo.

e de repente, do nada, com a profundidade de um jornal nacional, lá se vão aproximadamente 7 paragrafos e quase todo noticiário da semana. da falta de assunto, surgiu uma dezena de assuntos não trabalhados, e uma cronica que não vale nem um centavo furado.

no fundo essa é a grande característica das crônicas: entreter sem aprofundar, mais forma do que assunto, texto sob contexto e a liberdade que só a falsa modéstia de um cronista pode proporcionar, a liberdade que só tem quem pode se dar ao luxo de escrever sobre o nada, a partir do nada.

o que seriam das cronicas sem os cronistas…

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28
out
08

a natureza do aquecimento

o aquecimento global não me assusta.

a internet não cansa de me surpreender, e navegando encontrei este vídeo de um programa de televisão patrocinado pela Bell Telephone de 1958, que já explicava em detalhes as causas e efeitos do aquecimento global. Isto há 50 anos.

e durante 50 anos, o homem, mesmo já consciente das possibilidades devastadoras do aumento de 1 ou 2 graus na temperatura média do planeta, continuou produzindo e poluindo como uma máquina, continuou brigando com a natureza.

minto. não podemos dizer que o homem vai contra a natureza. muito pelo contrário, ele segue suas orientações cegamente. alterar o meio ambiente – em niveis maiores ou menores – é parte fundamental da natureza do homem.

queimar, plantar, construir, desmatar, caçar, domesticar, produzir, vender, comprar, ganhar e perder são verbos que foram criados logo após o falar e ouvir. o pensar, de uma forma ou de outra sempre esteve ali, para o bem ou para o mal.

se chegamos ao ponto em que chegamos, é porque a natureza permitiu. principalmente porque está também em nossa natureza o elemento que sempre acaba por direcionar nosso pensamento e nossas ações: o instinto.

de uma forma ou de outra é a competitividade, a busca guiada pelo tesão, a caça orientada pelo dinheiro que move a humanidade no sentido que estamos indo hoje. e não há nada mais natural e incontrolavel do que o instinto. como os tsunamis, as secas, os tornados e as correntes marítimas, o instinto é também uma força da natureza.

é uma força individual, não coletiva. quero o máximo de dinheiro e sexo para mim, somente para mim, no menor tempo, com o menor esforço.

e não se luta contra forças da natureza.

vejamos a atual crise economica. todos, sem excessão, sabiam que estavamos vivendo numa bolha lisergica de lucros. qualquer dono de negócio de esquina no brasil fazia um IPO e colocava milhões no bolso sem qualquer mérito prático a não ser um bom relatório de projeções e resultados. a loucura era tanta que bancos americanos começaram a se endividar para poder comprar dívidas dos outros.

uma hora a festa iria acabar, todos sabiam disso, mas todos, individualmente e sem excessão, queriam aproveitar a festa até o ultimo segundo, e esqueceram que normalmente os blackouts chegam sem avisar. e wall street ficou no escuro.

agora só nos rest aguardar cenas dos próximos capitulos.

sorte que Deus é brasileiro também para assuntos economicos. e o melhor lugar para se esconder em tempos de crises, sejam elas climátias ou financeiras, é aqui. e eu, como todo ser humano, vou curtir mais um verão na base do cartão de crédito, com ar condicionado ligado ao máximo.

o aquecimento global não me assusta, a natureza humana sim.

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21
out
08

banda.larga

[ gil tocando lennon ]

não lembro do meu primeiro contato com a obra de gil.

acho que fui ouvindo enquanto vivia, e como tantas coisas que a gente conhece desde sempre, desde sempre de alguma forma fez parte do meu habitat, do meu universo. portanto, apesar de sempre presente, o início da relação não foi em si marcante.

lembro quando conversei com ele a primeira vez. num desses carnavais, fui parar num almoço na casa dele a convite de preta, hoje grande amiga. eu tinha chegado mais tarde, me servi e sentei só numa mesa nem perto, nem longe do burburinho. depois sentou mais alguém, depois sentou gil.

admiro pessoas que sentam despretensiosamente na mesa com outras pessoas que não conhecem, mesmo que na própria casa. nos cumprimentamos, trocamos algumas palavras, nada demais, mas para mim foi muito especial.

o mundo gira, a vida dá os nossos passos, e hoje estamos tocando juntos com a gege, sua produtora, um projeto bem inspirador de conteúdo livre para o carnaval. projeto totalmente inspirado em sua vida e em seu discurso.

quando tiver tudo mais certo coloco os detalhes e resultados aqui.

essa semana ele estréia seu show banda larga em são paulo.

estarei lá!

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15
out
08

43


há pouco mais de 2 anos fiz uma promessa de não falar mais de política em meu blog ou em qualquer lugar.

mas vou abrir uma exceção em nome de outra exceção chamada Fernando Gabeira.

sou baiano, moro em são paulo mas não posso fingir que não vejo o novo. ainda mais quando o novo vem do rio de janeiro, hoje minha segunda casa.

gabeira aos 65 anos é o que há de mais novo na política brasileira por um motivo muito simples: ética.

ele é uma exceção pela ética. é coerente em relação ao que diz e o que faz. integro. verdadeiro. responsável. vanguarda. ele representa o que há de melhor no brasil, o que há de melhor no rio de janeiro. um brasil acima da bossa nova. liberal, tolerante e ainda assim integro.

não consigo resistir em pensar que basta uma boa experiência com a ética para o brasileiro entender que é possível ter um brasil melhor simplesmente sendo uma pessoa melhor.

precisamos apenas de um bom exemplo.

posso estar enganado, mas quero crer que este exemplo é Gabeira.

para o carioca de cidadania, vote 43. para o carioca de espírito, pense 43.

10
out
08

pinguins e moquecas

pingüins invadiram salvador.

sério. sei que parece piada mais é verdade. não sei ao certo quando começaram a chegar, sei que chegaram aos montes. não dezenas, mas centenas – quase milhares.

os moradores de itapuan, na sua receptividade exacerbada, já nos primeiros dois dias da invasão esvaziavam seus refrigeradores para alojar as aves desengonçadas, que paradoxalmente em pouco tempo morriam congeladas.

em villas, algumas crianças pegaram para criar como animais de estimação, e passeavem entre as barracas de praias com os bichinhos na coleira. as beatas de madredeus já congelavam a sua carne vermelha para a semana santa de 2009, afinal, de certa forma o pinguim pode ser interpretado como peixe.

em jauá, terra que não respeita a privacidade nem das tartarugas, uma churrascaria colocou as criaturas em exposição no parque infantil. no mercado do peixe a famosa baiana não pensou duas vezes e lançou em primeira mão a moqueca de pinguim.

enfim, diferente dos demais turístas que vêem a bahia, os pinguins se deram mal.

eu pessoalmente nunca tinha visto um pingüim na minha vida. nem em zoológico, vagamente em filmes. nunca gostei de pinguins – parei de usar os tremas – nem em filmes. minto. o pinguim de batman era o máximo. era dany de vito.

enfim, estava eu no yatch clube da bahia, flutuando a caminho do flutuador, quando aparece uma criatura que a priori me pareceu um pato. um pato preto. como há uma diferença grande entre pato preto e cisne negro, e nenhum deles navega em água salgada, já ciente das histórias fantásticas, conclui que ao meu lado estava um pinguim.

ele olhou para mim e fingiu que não viu.

olhei para ele e sorri. nada feliz e mal sabe que escapou de virar moqueca no mercado do peixe…




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