Posts Categorizados ‘cultura



19
nov
07

Dois Amigos


A celebre casa amarela em Arles, que Vincent Van Gogh adquiriu, mobiliou, pintou e preencheu com seus quadros para receber o amigo Paul Gauguin no outono de 1888, já não existe. Desapareceu num bombardeio aliado em 25 de junho de 1945 e agora funciona ali um hotelzinho modesto chamado Terminus-Van Gogh. A proprietária, uma velhinha atenta de 84 anos, mostra aos clientes curiosos uma fotografia antiga das ruínas do local logo após o impacto da explosão. Episódio do qual ela foi testemunha e quase vitima. O entorno, pelo contrário, não mudou muito, e ainda se reconhece de imediato a casa ao lado já retratada pelo holandês numa de suas pinturas.

A praça Lamartine também segue ali, enorme e circular, com suas arvores repletas de frutas, aos pés de um pórtico que fazia parte da muralha da velha cidade e que ainda se conserva intacto, como nos tempos de Van Gogh e Gauguin. Também não deve ter mudado muito o espetaculo do Reno, que flui devagar e magnânimo há poucos metros dali , abraçando esta pequena vila. O que desapareceu foi o mercado da cidade – substituído por um armazém – e o bordel de Madame Virginie, então chamado de Casa de Tolerância número 1 onde, nos meses em que viveram juntos, os amigos iam pelo menos 3 vezes por semana – Van Gogh sempre com sua predileta Raquel – na pecaminosa viela já demolida para construção de uma grande avenida. Naquela época este era um bairro muito pobre, habitado por mendigos, prostitutas, cafetinas e mercadores de desejo. Hoje, subiu um pouco seu nível e é habitado por uma discreta classe média.

Os meses em que Van Gogh e Gauguin passaram aqui, entre Outubro e Dezembro de 1888, são os mais misteriosos de suas biografias. Os detalhes do que realmente se passou entre esses dois amigos nessas 8 semanas escapou até mesmo à investigação de dezenas de críticos e pesquisadores que, a partir de poucos dados objetivos, tratam de despejar incógnitas conjecturas e fantasias muitas vezes delirantes. As cartas de ambos são evasivas em relação a esta convivência, e quando Gauguin se referiu a ela 15 anos depois, já no final de sua vida, derrubado pela sifilis, foi um testemunho extremamente duvidoso, pois estava tratando acima de qualquer coisa de desmentir os rumores à época já espalhados por toda a França de que teria sido ele o responsável pela loucura de Van Gogh.

O certo é que nesta casa, agora fantasma, juntos eles sonharam, pintaram, discutiram e brigaram com tanta intensidade que o holandês estava já a ponto de matar o francês cuja chegada em Arles fora aguardada com tanta ansiedade e ilusão.

Não havia indícios de uma relação homossexual entre eles, mas sim passional. E na sua mais alta potência. Van Gogh conheceu Gauguin alguns meses antes, em Paris, e ficou fascinado pela personalidade arrematadora deste artista aventureiro que acabara de regressar do Panamá e da Martinica, com pinturas repletas de luz e de vida primitiva – como um grande contraste à decadência do ocidente. Pediu a seu irmão Teo que o ajudasse a convencer Gauguin a viver com ele na Provença. Ali, naquela casa amarela, fundariam uma comunidade de artistas, liderada por Gauguin, da qual ambos seriam pioneiros, e pintores iniciantes integrariam um grupo fraterno, onde tudo seria compartilhado, se viveria por e para a beleza, não existiria propriedade privada nem dinheiro.

Esta utopia dominou a mente de Van Gogh. Já Gauguin, a principio, estava bem resistente a idéia. Chegou a Arles impelido pelos incentivos financeiros de Theo, pois a grande verdade é que estava muito bem na Bretanha. A prova disto é que em vários das dezenas de quadros que pintou em Arles, retratou mulheres vestidas como bretãs. A grande ironia é que no futuro seria Gauguin, e não Van Gogh, a dedicar o resto de sua vida a materializar aquele sonho utopico de Vincent, e que partiria até a polinésia, aquela terra que havia deslumbrado o holandes pelas descrições de Pierre Lovi, e que ele o obrigou a ler durante a estadia em Arles.

Seriam os excessivos esforços de Van Gogh, sua dedicação para que o amigo estivesse a vontade em Arles, o que despertou a contrariedade de Gauguin? É possível que essa efusividade um tanto histérica do holandes o tivesse desesperado a ponto de fazê-lo sentir-se um prisioneiro?

Também lhe incomodava a desordem e a utilização de mais dinheiro do que o combinado com o pretexto das “atividades higienicas” – como batizou suas visitas a Rachel. Haviam distribuido as tarefas: Gauguin cozinhava e Van Gogh fazia as compras, estavam sempre juntos e a intensidade desta intimidade acabava por criar problemas . Uma briga definitiva teve como motivo o pontilhista Seurat; Van Gogh, que o admirava, desejava incorporá-lo ao Estudio do Sul, nome da comunidade idealizada, e Gauguin se negou, pois detestava o artista.

As diferenças estéticas eram mais teóricas do que práticas.

Van Gogh se proclama ultra-realista e se empenhava em montar seu atelier ao ar livre, para buscar inspiração na natureza. Gauguin defendia que a verdadeira materia prima do pintor não era a realidade, mas sim a memoria, e que havia de buscar inspiração não explorando o contorno, mas sim o interior. Esta diferença, que ao que parece causou imensas discussões entre os dois amigos, no final deu resultado: nenhum deles ilustrou sua teoria com suas pinturas, que agora nos parecem, embora tão distintas uma das outras, igualmente impregnadas de imaginação e de sonhos, e por sua vez profundamente enraizadas no real. Na primeira semana de coexistencia em Arles, o tempo bom permitiu colocar em prática a teoria de Van Gogh. Ambos se instalaram ao ar livre, para pintar os mesmos temas: a paisagem dos alychamps, a grande necropole romana e paleocristã, e os jardins do hotel lieu, o hospital publico. Mas logo começou um diluvio que os obrigaram a permanecer semanas presos na casa amarela, alimentando suas pinceladas sobretudo com sua imaginação e memória. Este cárcere forçado em função da inclemência da natureza – fora o outono com mais ventos e chuvas da segunda metade do século – criou um clima de claustrofobia e implicância, que se traduziu em tardes de violentas discussões.

Nestes dias Gauguin esboçou um retrato do holandes pintando girassois que deixou o amigo atordoado: “sim, sou eu. Só que já louco.” E já estava? Não há duvida de que no universo de imprecisos contornos que envolve a loucura, há um estágio impossível de se definir com precisão, que corresponde àquele outono de Van Gogh. Os primeiros médicos que o trataram em Arles e posteriormente em Saint Remy o diagnosticaram como epiléptico, o que nos deixa ao mesmo tempo perplexos e céticos com a verdadeira natureza da sua doença. O fato é que sua convivência com Gauguin, confundida por tantas ilusões e expectativas, ao frustrá-lo precipitou uma crise da qual jamais sairia. É fato também que a idéia de que seu amigo partiria de Arles um ano antes do previsto foi para ele devastadora. Fez o possível e o impossível para manter-lo em Arles, e este empenho, ao invés de mudar os planos de Gauguin, o incitou a partir o quanto antes. Este é o contexto do episódio da véspera daquela noite de 1888, sobre o qual só temos o improvável testemunho de Gauguin.

Uma discussão no café da estação, enquanto bebiam absinto, termina de maneira abrupta: o holandês arremessa seu copo contra o amigo, que apenas se esquiva. No dia seguinte, este comunica sua intenção de mudar-se para um hotel, pois, caso o episódio da noite anterior se repetisse, poderia reagir com igual violência e sufocar-lo, apertando o seu pescoço. Ao anoitecer, cruzando o parque Victor Hugo, Gauguin sente passos lhe seguindo. Vira-se e vê Van Gogh, com uma navalha na mão, que, ao sentir-se descoberto foge. Gauguin passa a noite num hotel vizinho. As sete da manhã retorna a Casa Amarela e a vê rodeada por vizinhos e pela polícia. Na véspera, logo após o incidente no parque, Van Gogh cortou parte de sua orelha esquerda e a levou, embrulhada num jornal, para Rachel na casa de tolerância. Logo voltou ao seu quarto e dormiu, em meio a um mar de sangue. Gauguin o tranferiu dali para o Hotel Dieu, e dali imediatamente para Paris.

Ainda que nunca tenham voltado a se encontrar, os amigos trocaram algumas cartas durante todo o ano em que Van Gogh esteve internado no sanatório de Saint Remy. Nessas cartas o episódio da mutilação da orelha e suas experiências em Arles são sequer citadas. Quando do suicídio de Van Gogh, um ano e meio depois, com um tiro no estômago em Auvers-sur-oise, Gauguin faria um comentário breve e ríspido, como se fosse alguém bastante alheio a ele “foi sorte, acabou com seu sofrimento”. E logo nos anos seguintes evitava falar do holandês como que perseguido por um permanente incomodo. Sua ausência esteve presente nos quinze anos seguintes que lhe restavam de sua vida, de uma maneira nem sempre consciente. Por que tanto se empenhou em plantar girassóis em frente a sua cabana no tahiti, quando todo o mundo lhe assegurou que esta flor exótica jamais poderia adequar-se ao clima da polinésia? Mas o peruano selvagem, como gostava de ser chamado, era teimoso, e pediu sementes ao amigo Daniel de Monfried, e trabalhou a terra com tanta perseverança, que por fim seus vizinhos indígenas e os missionários daquela terra perdida puderam deleitar-se com aquelas estranhas flores amarelas que seguiam os passos do sol.

Tudo isso ocorreu há mais de um século, distancia suficiente para que a história se enriqueça com a imaginação fértil natural não só dos romancistas, mas de todos os seres humanos.

Subitamente, em homenagem àqueles dois amigos que enobreceram este pedacinho de terra, decido tomar uma dose de absinto. Jamais havia provado desta tão ilustre e simbólica bebida, em que se afogaram Verlaine, Baudelaire, Rúben Dario e que Van Gogh e Gauguin bebiam como se fosse água. Havia imaginado um álcool exótico, aristocrático, cor verde quase que diarréia, de efeito entorpecedor. Mas ao provar o que me vem a mente é um gosto forte de anis. A terrível bebida lembra menta açucarada, processada por alquimistas, me arrebentou as entranhas, quase me levou ao vomito.

Mais uma prova de que a chã realidade jamais estará a altura dos nossos sonhos e fantasias.

Mario Vargas Llosa
por Pedro T
03
jul
07

Clube da Luta

“O desastre faz parte da minha evolução natural rumo à tragédia e à dissolução. Estou rompendo meus vínculos com a força física e os bens materiais, porque só destruindo a mim mesmo vou descobrir a força superior do meu espírito.”

Tyler Durden – FightClub

Passei esse ultimo final de semana na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Sempre que vou para o Rio de Janeiro fico na Barra. Tenho um amigo carioca-baiano que diz que Barra não é Rio. Respeito. De fato o bairro está mais para Miami Beach. Adoro a zona sul, porém para mim hoje o Rio de Janeiro é mais a Barra da Tijuca do que qualquer outra coisa.

Voltando ao começo, passei o final de semana no Rio de Janeiro e tive a oportunidade de ver um amigo participando de uma competição “amistosa” com atletas ainda amadores de luta livre. Ou melhor, de MMA (Mixed Martial Arts), que aprendi ser o termo correto. O MMA é uma esporte de combate que na prática é uma luta onde, sem trocadilhos, vale tudo. Reza a lenda que foi criado na grécia antiga por Hercules e Teseu, quando era chamado de pankratos (pan siginifica “todos” e kratos - “poder”), e foi introduzida nos jogos olimpicos já em 648 A.C. Ficou mais popular a partir de 1993, com o Ultimate Fighting Championship, cuja proposta era confrontar diferentes estilos de artes marciais num ambiente com regras mínimas e comprovar qual a modalidade mais eficiente numa situação de luta livre.

Esperava um ambiente totalmente hostil, e a primeira vista era isso mesmo que parecia. No subsolo de uma academia, numa área batizada de “Black House”, um ringue, uma área para aquecimento, uma gaiola tipo aquela em que Wolverine lutava no primeiro X-Men e mais ou menos 30 lutadores. Todos de alguma forma anabolizados, com orelhas carcomidas pelo chão dos tatames e em geral tatuados. Havia a excessão de um gabiru, seco, com cara de goblin, que corria feito um alucinado para perder ainda mais peso e adequar-se a uma determinada categoria antes da luta.

Apesar de tudo, era realmente só a primeira impressão e talvez ainda algum preconceito. Não havia ali nenhuma hostilidade, tendo inclusive crianças – filhos dos lutadores – interagindo e brincando com os lutadores mais velhos. O clima era de confraternização, como em qualquer outra modalidade esportiva. Dentro do ringue, claro, era outra história. Havia técnica sim, mas em essência era violência. Eles subiam no ringue para agredir e serem agredidos. O olhar de fúria, os golpes rápidos, a respiração ofegante e o sangue. Em tudo lembrava na melhor das hipóteses o coliseu, e na pior uma briga de galo.

O que leva uma pessoa a dedicar a vida a isto?

Impossível não fazer uma associação direta a Clube da Luta, sucesso de bilheteria de David Fincher de 1999. “O quanto você sabe de si mesmo se nunca esteve numa luta?” provoca Tyler Durden, a emblemática personagem que transforma a vida do protagonista representado pelo ator Edward Norton. O filme explora a idéia da descoberta do sentido da vida por meio da proximidade da sua destruição.

Nesta linha, a busca pelo sentido da vida adquire vários formatos. No filme ela vai da compra compulsiva de móveis e objetos de decoração, passa pela proximidade com vitimas de câncer de testículo, chega na criação do clube da luta onde homens se massacram até o limite e termina finalmente em atos de vandalismo que desaguam no mais puro terrorismo. É um clássico.

A vida real não é tão diferente. E não precisamos nem sair da Barra.

Vamos ao exemplo mais recente de acontecimentos que estão se tornando rotina na sociedade brasileira: o caso Sirlei. O que aqueles jovens fizeram é auto-destruição pura. O objetivo logicamente não era agredir a doméstica… Isso além de fácil não teria um propósito. O prazer sádico explica, mas há outras formas mais “seguras”e mais intensas de se ter esse tipo de sensação, como as drogas. O fato de estarem dopados facilita mais igualmente não justifica – se cada usuário de droga deste país tivesse reações desse tipo não seria possível andar nas ruas.

Seguindo a filosofia de Durden, o vandalismo, as drogas, a agressão gratuita e o desrespeito não são o fim, mas sim o meio para estar próximo da auto-destruição e da possibilidade de um (macabro) sentido para a vida. “Somente após um desastre a ressurreição é possível.” De uma forma ou de outra, esses jovens terão muito tempo para pensar no sentido de suas vidas enquanto estiverem na cadeia ou marginalizados pela sociedade civilizada.

E dai volto aos ringues e fico perplexo e feliz ao me dar conta de que todos aqueles lutadores, que acima de tudo são atletas, encontraram talvez sentido para suas vidas também através da agressividade, mas de uma agressividade técnica, de uma luta que é livre, mas ao mesmo tempo controlada. O adversário ali tem o mesmo tamanho, a mesma forma física e está ali ciente e consciente.

E o mundo de hoje está tão louco que fico surpreso ao concluir que prefiro que meus filhos comecem desde cedo a lutar jiu-jitsu e até mesmo que se tornem lutadores de MMA, do que correr o risco, o qual todos os pais estão sujeitos, de vê-los envolvidos em situações tão surreais como a daqueles e de tantos outros jovens perdidos em busca da destruição.

Tudo isso num só final de semana na Barra da Tijuca.

10
abr
07

smokephotos

Além de vicio, também pode ser arte.






[ Trabalho do artista Mehmet Ozgur, membro da comunidade www.photo.net. ]

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04
fev
07

Kerouac ou On the Road

BELIEF & TECHNIQUE FOR MODERN PROSE

LIST OF ESSENTIALS

    1. Scribbled secret notebooks, and wild typewritten pages, for yr own joy
    2. Submissive to everything, open, listening
    3. Try never get drunk outside yr own house
    4. Be in love with yr life
    5. Something that you feel will find its own form
    6. Be crazy dumbsaint of the mind
    7. Blow as deep as you want to blow
    8. Write what you want bottomless from bottom of mind
    9. The unspeakable visions of the individual
    10. No time for poetry but exactly what is
    11. Visionary tics shivering in the chest
    12. In tranced fixation dreaming upon object before you
    13. Remove literary, grammatical and syntactical inhibition
    14. Like Proust be an old teahead of time
    15. Telling the true story of the world in interior monolog
    16. The jewel center of interest is the eye within the eye
    17. Write in recollection and amazement for yourself
    18. Work from pithy middle eye out, swimming in language sea
    19. Accept loss forever
    20. Believe in the holy contour of life
    21. Struggle to sketch the flow that already exists intact in mind
    22. Dont think of words when you stop but to see picture better
    23. Keep track of every day the date emblazoned in yr morning
    24. No fear or shame in the dignity of yr experience, language & knowledge
    25. Write for the world to read and see yr exact pictures of it
    26. Bookmovie is the movie in words, the visual American form
    27. In Praise of Character in the Bleak inhuman Loneliness
    28. Composing wild, undisciplined, pure, coming in from under, crazier the better
    29. Youre a Genius all the time
    30. Writer-Director of Earthly movies Sponsored & Angeled in Heaven
As ever,
Jack [Kerouac]

Jack Kerouac é um dos autores americanos mais celebrados de todos os tempos.

Precursor da chamada “beat generation” , a maioria de sua obra foi publicada na decada de 50, e entre os titulos mais famosos está o classico “On the Road” .

É tido como catalizador dos movimentos de “contra-cultura” da década de 60.

Preciso ler mais coisas desse cara…

30
nov
06

Livros Áridos

[ bibliochaise - nobody&co / italia ]

Ultimamente não tenho lido tantos livros, mas estou feliz com os poucos livros que estou lendo. Acabo lendo vários livros ao mesmo tempo, o que somado ao pouco tempo que tenho livre, faz com que eu demore mais do que o normal para terminar de lê-los.

Graças a deus adquiri o habito de não pegar no sono sem antes ler pelo menos um capitulo de um livro. Isto é que mantem minha leitura em dia.

O primeiro que estou lendo é o livro do ex-presidente FHC: “A arte da política”. Fascinante tanto pela escrita refinada, pela quantidade de referencias, pela ironia inteligente e por tratar-se de um período no qual vivi conscientemente. Considero que comecei a acompanhar a política brasileira após o impeachtment de Collor e declarei o fim de meu interesse nesse assunto logo após a reeleição de Lula. Tá certo que comecei cedo, mas 14 anos acompanhando a política brasileira é tempo suficiente para concluir que não há jeito.

Estou lendo também um livro inspirador sobre “The Long Tail”, de Chris Anderson. De tão inspirador acabei escrevendo tantos posts sobre o assunto que prometo não escrever mais nenhuma linha. Paro por aqui.

O outro livro que estou lendo é um estudo fascinante sobre o Candomblé da Bahia do sociólogo frances Roger Bastide. Com essa obra estou me aprofundando em quase todos os detalhes dessa religião que faz parte da vida de todos os baianos e que vem se tornando cada vez mais importante na minha vida também. Estou matando todas as minhas curiosidades e me preparando para o momento em que poderei me envolver de fato com esse universo. Foi deste livro também que tirei o nome da minha empresa – Nagô.

Além disso, sempre acabo lendo um pouco de Nelson Rodrigues para elevar o tom de minha escrita e um pouco de Maquiavel – nesse caso só para consulta.

Pra terminar uma frase de Nelson:

“Por tudo que sei da vida, dos homens, deve-se ler pouco e reler muito. A arte da leitura é a da releitura. Há uns poucos livros totais, uns três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, em vez disso, o leitor se desgasta, se esvai em milhares de livros mais áridos do que três desertos.”

Vou seguir o conselho do cronista e meus próximos posts de literatura serão sobre meus livros totais. São poucos e bons.




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