Posts Categorizados ‘musica



25
out
08

it’s easy

There’s nothing you can do that can’t be done.
Nothing you can sing that can’t be sung.
Nothing you can say but you can learn how to play the game

It’s easy.

There’s nothing you can make that can’t be made.
No one you can save that can’t be saved.
Nothing you can do but you can learn how to be you in time

It’s easy.

There’s nothing you can know that can’t be known.
Nothing you can see that isn’t shown.
Nowhere you can be that isn’t where you’re meant to be.

It’s easy.

All we need is love.
Love is all we need.

[ lennon.mccartney ]

.

21
out
08

banda.larga

[ gil tocando lennon ]

não lembro do meu primeiro contato com a obra de gil.

acho que fui ouvindo enquanto vivia, e como tantas coisas que a gente conhece desde sempre, desde sempre de alguma forma fez parte do meu habitat, do meu universo. portanto, apesar de sempre presente, o início da relação não foi em si marcante.

lembro quando conversei com ele a primeira vez. num desses carnavais, fui parar num almoço na casa dele a convite de preta, hoje grande amiga. eu tinha chegado mais tarde, me servi e sentei só numa mesa nem perto, nem longe do burburinho. depois sentou mais alguém, depois sentou gil.

admiro pessoas que sentam despretensiosamente na mesa com outras pessoas que não conhecem, mesmo que na própria casa. nos cumprimentamos, trocamos algumas palavras, nada demais, mas para mim foi muito especial.

o mundo gira, a vida dá os nossos passos, e hoje estamos tocando juntos com a gege, sua produtora, um projeto bem inspirador de conteúdo livre para o carnaval. projeto totalmente inspirado em sua vida e em seu discurso.

quando tiver tudo mais certo coloco os detalhes e resultados aqui.

essa semana ele estréia seu show banda larga em são paulo.

estarei lá!

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29
mar
08

40 | 60


não consigo me imaginar aos 60.

durante toda a minha vida achei que por um ou outro motivo não chegaria aos 40. sempre que falava isso minha mãe tinha calafrios e meus irmãos sorriam. eu achava bonito ter essa certeza “profética”, e no fundo achava comodo não durar tanto tempo.

se eu não chegasse aos 40, não teria de me preocupar com aposentadoria. o que significa torrar ainda jovem tudo que se ganha. significa não ter de parar aos poucos, significa frear de uma vez só, a qualquer momento. dizia (e as vezes ainda digo) com o peito cheio: – quem garante que estarei vivo amanhã?

talvez por trás disso tudo, mais do que o medo de morrer, havia o medo de viver.

Estou falando de mim e a intenção era falar dos stones.

terça-feira fui assistir a pré-estréia do filme ” shine a light”, de martin scorcese sobre os rolling stones. fui com solari, uma das pessoas mais legais que conheci recentemente. cheguei com todas as expectativas e ao mesmo tempo com nenhuma. tinha visto um trailler que era mais engraçado do que esclarecedor. por outro lado um filme de martin scorcese por pior que seja não deve ser de se jogar fora.

por uma ou por outra, sai do cinema fascinado. o filme é a gravação de um show intimista dos stones – sem grandes palcos ou grandes públicos – filmado por 16 cameras manejadas por 16 técnicos ganhadores do oscar, e editado e dirigido por martin scorcese. estrelas de um lado e estrelas do outro.

nos primeiros minutos o grande mistério era procurar entender qual o corte que scorcese queria dar aquele espetáculo. qual a sua intenção. por qual ótica ele queria nos mostrar os rolling stones. o mistério não durou muito.

scorcese nos coloca no palco e na platéia ao mesmo tempo. podíamos ver todas aos rugas de mick jagger enquanto tentávamos nos desviar da pessoa da frente. ficávamos cegos com a luz ao mesmo tempo que podíamos ver a cumplicidade no palco. não sabia se as palmas eram da plateia do cinema ou da engenharia de som do filme (produzido para cinemas IMAX). destaca a dimensão humana dos gênios e por isso mesmo os faz ainda mais geniais.

eu pessoalmente, um ocioso convicto, me impressionei mesmo com o folego. mais do que com a energia, tesão, vocação, carisma, etc… o que tirou meu sono foi o folego.

os sujeitos passam a vida entregues a drogas, orgias, bebidas e tudo o mais que a criatividade humana pode oferecer… tudo que me repetiram o tempo inteiro para não fazer, eles provavelmente já fizeram em excesso. e cá estou eu, pensando em não chegar aos 40, e eles lá, ricos, trabalhando e vivos aos 60.

o segredo? um amigo logo disse: – ” dinheiro!” outro palpitou: – ” fazer o que gosta!” . eu acho que é um pouco dos dois.

na mesma semana, outro exemplo: maria bethania


bethania aos 60 não é só mais apaixonante como também é mais sensual do que aos 20. na quinta-feira fui ao seu show com omara portuondo, uma cubana também muito sensual aos 70, e fiquei impressionado não com a energia ou o folego, mas com a intensidade. tudo em bethania é intenso. é entrega. é gana. nela ainda vive o carcará.

não foi o melhor show de bethania que já vi. talvez tenha sido o pior. mesmo assim foi lindo. e foi intenso. a riqueza do show de maria bethania está nos detalhes, na luz, no cenário – que docemente cafona como a américa latina, para mim foi o grande destaque.

o sucesso e a longevidade de personalidades aparentemente tão diferentes nos mostra que o mais importante não é necessariamente como se leva a vida – seja ela com fé ou com drogas – mas sim o que se realiza.

scorcese é de 46, bethania de 43 e mick jagger de 42. omara nasceu em 1930. no palco, bethania já não era aquela menina de santo amaro. assim como mick jagger também não era mais aquele. ambos tinham a força, o folego, a energia e a maturidade que só o tempo e o sucesso traz.

e de repente desejei estar ali, me sentir naquela plenitude. e uma semana em são paulo talvez tenha resolvido o que algumas terapeutas tentaram em vão.

ainda não consigo me ver aos 60, mas pelo menos já sei como quero estar.

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09
dez
07

Cultura, Mercado e Exemplo



Há 2 anos optei por pautar minha vida e minha carreira pela cultura.

Muitos acham loucura a possibilidade de trocar uma potencial carreira na comunicação pela vida de produtor cultural. Eu também acho. Vou em busca de sonhos, mas não tenho vocação para Don Quixote tupiniquin e muito menos para ser um eterno produtor cultural com centenas de projetos não realizados numa mão e dividas na outra. Meu foco é ter sucesso, meu tesão é realizar.

Ressalva feita, pontuo: vejo na produção cultural brasileira uma real oportunidade de fazer dinheiro.

A publicidade acabou, ninguém acredita mais nos comerciais de 30 segundos, que no futuro próximo terão função meramente informativa e sobrevida garantida apenas pela repetitiva comunicação de varejo. Uma comunicação que, vista como um todo, destrói marcas muito mais do que constrói. Enquanto não se consolida como commodity, a sua veiculação segue, e a ainda vai seguir um tempo, por inércia e comodismo.

As marcas já não querem mais propaganda – buscam verdade, buscam conteúdo. Conteúdo ligado à marcas através dos mais variados meios, textos e contextos – eventos, blogs, cinema, teatro, internet, ipod, celular – isto é a nova publicidade. E se cultura é conteúdo, hoje conteúdo é dinheiro.

A cultura tem que entrar no mercado e abandonar o hábito assistencialista que a acompanha no Brasil desde sempre. As leis de incentivo são importantes, mas não podem criar dependência. Antes se falava de artistas independentes, e hoje o que existe são artistas dependentes. A lei Rouanet é o bolsa família desses artistas, e vai se tornando cada vez mais difícil viver sem ela.

Pode parecer uma blasfêmia, mas projetos culturais podem sim trazer resultado comercial para seus clientes sem perder sua essência. A arte sempre viveu do mecenato – agora vamos viver a era do mecenato das marcas. Trocar os Medicis pelos anunciantes.

Tanto publicitários quanto produtores culturais têm de aproveitar esta oportunidade e mudar a atitude para não ter que mudar de ramo.

É comum ao produtor cultural pedir patrocínio como quem pede ajuda, como quem pede uma esmola. Isso está no sangue e no discurso. Acredito que patrocínio não se pede, por outra – se oferece. Se oferece por que tem valor, porque o projeto é imperdível, porque se você não comprar, seu concorrente irá fazê-lo. Porque é um negócio e não caridade.

Projetos culturais devem ser embalados para presente e transformados em produtos. Só serão viáveis comercialmente se puderem demonstrar claramente o retorno que dão aos seus patrocinadores. Não basta contar com a mídia espontanea, um retorno mínimo de mídia deve ser garantido. Como conteúdo, deve se adaptar e se espalhar como vírus por todas as novas plataformas disponíveis – da internet ao iphone. Utilizar de forma inteligente o long tail da mídia de massa a favor. E faturar ainda mais com o licenciamento do conteúdo para a tematização de produtos e serviços.

Que fique claro: não estou aqui defendendo a merchandisingtização das produções culturais. Longe disso. Esse seria o caminho simples. Ao invés das marcas invadirem o conteúdo, a oportunidade está exatamente no oposto – no conteúdo permear e abraçar o universo de cada marca.

A produção tem que se tornar uma febre. Febre como o espetáculo Equus, sucesso desde 1972 e que movimentou o mundo com sua ultima montagem em Londres. Febre como o Afroreggae, como a trilha de Lisbela e o Prisioneiro que liderou as paradas dos rádios e do download de ring tones, como Irma Vap que passou anos em cartaz e como Tropa de Elite, que transviou o mercado e usou da pirataria – a internet do pobre – para se tornar febre nacional.

Todas as áreas têm seus modelos, seus visionários. E no topo da nova produção cultural brasileira está Monique Gardenberg. Ela é a sintese, o modelo e o espelho otimista do futuro da cultura no país. A cultura que já deu certo. A cultura que ganhou o mercado.

Seu nome é sinônimo de qualidade e de retorno. Neste ano conseguiu o que parecia impossível e aumentou ainda mais o nível do melhor festival de musica do Brasil, do roteiro à direção, produziu “” Ó paí ó”, um dos maiores sucessos do cinema nacional, que em 2008 vai para televisão, dirigiu o show musical mais polêmico dos últimos anos com Ana Carolina e ainda outros espetáculos nem um pouco superficiais e ainda assim comerciais, como “os sete afluentes do rio ota”, com 5 hs de duraçao, sucesso de publico e crítica.

Monique Gardenberg e a Dueto é a prova de que é possível ter sucesso com produções de qualidade no Brasil. A prova de que o mercado cultural brasileiro ainda tem muito a oferecer para quem o explora com competência e dignidade.

Fico feliz em constatar que os caminhos estão abertos e que o futuro, como não poderia deixar de ser, está na arte, na cultura e no conteúdo.

04
jun
07

Strawberry Fields Forever

Nesses últimos dias estamos tendo uma grande oportunidade de ser bombardeados por centenas de materias relacionadas aos Beatles e ao seu álbum mais emblemático que acaba de completar 40 anos: Sgt. Pepper’s Lonely Heart Club Band.

Não vou me arriscar a escrever sobre os Beatles, porque acredito que tudo que há para se escrever sobre eles já deve ter sido escrito e porque tenho uma grande dificuldade em dissertar sobre unanimidades. Tenho medo de cair na mesmice.

Contudo posso afirmar que sem dúvida os Beatles são uma das minhas atuais obsessões, e se não vou escrever sobre os mesmos vou desabafar um pouco sobre meu relacionamento com eles e com sua obra.

Não sei dizer muito bem quando fui apresentado formalmente aos rapazes de Liverpool. As primeiras lembranças são as musicas nas aulas de inglês e um filme muito louco de 1978 que passava na sessão da tarde – “I wanna hold your hand” ou “Febre da Juventude” em português – em que uma das sacadas mais legais era fazer um filme sobre a Beatlemania sem mostrar o rosto de nenhum dos Beatles.

Lembro de ter ido também a alguns shows de uma banda cover chamada “Beatles in Senna” que eram extremamente divertidos.

Mas até ai confesso que nada disso era muito significante.

Por mais contraditório e fantástico que isso possa parecer, foi a Apple que me aproximou dos Beatles. Logo que comprei meu primeiro iPod coloquei por coincidência toda a coleção dos cds dos Beatles que meu irmão tinha em casa e comecei a ouvir aleatoriamente. Hoje não consigo viver sem eles.

São musicas para todos os momentos de nossa vida. Eleanor Rigby para quando se quer ficar sozinho, Blackbird para dar esperança, Sgt. Peppers para divertir, Here comes the sun para acordar de bem com a vida, Something para deixar-se apaixonar e tantas outras musicas para tantos outros momentos.

E o sonho não acabou e não vai acabar, pois mesmo após quase 30 anos do fim do grupo sua obra continua viva, emocionando e mudando a vida de milhares de pessoas pelo mundo.

A historia dos Beatles prova que a eternidade só é possível através da arte.

23
mai
07

Caetano, Raul e Arctic Monkeys



Poucas coisas me surpreenderam tanto nos últimos tempos como o disco novo de Caetano.

Não pela qualidade das musicas e composições. Não pela produção impecável. Não pela capacidade aparentemente infinita que este artista tem de se reinventar. Isso não é novidade.

O que me surpreendeu foi a constatação de que “Cê” é talvez a única e mais autentica manifestação do puro rock dos últimos 10 ou 20 anos no Brasil. O adjetivo “puro” pode soar como “antigo”. Não é isso que quero dizer. “Cê” é fortemente influenciado pelo mundo indie dos Strokes e Arctic Monkeys – nada mais atual. E nada mais indie, e ao mesmo tempo clássico, do que o essencial quarteto voz, guitarra, baixo e bateria.

Sem perder o tom, ainda é possível sentir Raul. Sem perder a razão dá para ouvir MVBill.

Uma das faixas que mais me agrada no disco é talvez a menos rock. “Por que?” com sotaque português e batida simples e hipnótica realmente não sai da cabeça.

A sinceridade da música “Não me arrependo” com sua introdução a la brokeback mountain, é a prova de que Caetano não tem, e nunca teve, qualquer problema em expor seus sentimentos e em entregar-se de peito aberto a musica.

A reinvenção do individuo só é possível com entrega. É deixar-se levar sem saber ao certo onde chegar.

19
abr
07

Mais Gil e Jorge


De Gil sobre Jorge:

“É, Jorge Ben é para mim uma espécie de mestre. Eu tenho muitos mestres mas ele é um mestre em exercício, mais um pai talvez, à medida que existe muito dele nessa minha vontade de dar nitidez aos matizes das matrizes negras do meu trabalho. Isso aparece nos meus shows quando eu improviso. Um lado assim preto velho que está no meu mundo… minha vó, tias velhas, meu pai. Um vocabulário onde entram palavras nagôs, ditas com aquela guturalidade negra na voz. Fica assim como um reencontro com a minha formação mais primária.”

19
abr
07

Jurubeba

Em 1975, dois negros conscientes de suas raízes, de suas obras, de suas diferenças e semelhanças e fundamentalmente de seus ilimitados talentos musicais juntaram-se despretensiosamente num estúdio.

A gravação aparentemente correu sem tensão ou pretensão, e fomos presenteados com um dos albuns mais humildemente psicodélicos da música brasileira. Típico encontro de Ogum com Xangô: técnica orgânica guiada por pura e inconseqüente emoção.

Esse talento permite 13 minutos de improviso sobre o afoxé “Filhos de Gandhi” e mais 12 min sobre o clássico “Taj Mahal”. Uma riqueza de ritmos, sons e efeitos que precede qualquer tecnologia sampleadora.

Não sei se o album chegou a ter sucesso comercial. Possivelmente não. Não importa, sem duvida o objetivo não foi esse.

“Gil e Jorge” é o registro mais naturalmente fiel do dialogo negro nagô entre Rio e Bahia. Dialogo este que só poderia acontecer entre Ogum e Xangô, entre Gilberto Gil e Jorge Ben.

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12
abr
07

Mal Secreto


Não choro
Meu segredo é que sou um rapaz esforçado
Fico parado, calado, quieto
Não corro, não choro, não converso
Massacro meu medo, mascaro minha dor
Já sei sofrer
Não preciso de gente que me oriente

Se você me pergunta: “Como vai?”
Respondo sempre igual: “Tudo legal!”
Mas quando você vai embora
Morro meu rosto no espelho
Minha alma chora
Vejo o Rio de Janeiro

O morro não salvo, não mudo
Meu sujo olho vermelho
Não fico parado, não fico calado, não fico quieto
Eu choro, converso
E tudo o mais jogo num verso
Intitulado mal secreto

Waly Salomão / Jards Macalé
12
abr
07

Amante da Algazarra

Não sou eu quem dá coices ferradurados no ar.
É essa estranha criatura que fez de mim seu encosto.
É ela!!!
Todo mundo sabe. Sou uma lisa flor de pessoa,
Sem espinho de roseira nem áspera lixa de folha de figueira.
Esta amante de balburdia cavalga encostada ao meu sóbrio ombro
Vixe!!!
Enquanto caminho a pé, pedestre – peregrino, atônito até a morte.
Sem motivo nenhum de pranto ou angustia rouca, ou desalento:
Não sou eu quem dá coices ferradurados no ar.
É essa estranha criatura que fez de mim seu enconto.
E se apossou do estojo de minha figura e dela expeliu o estofo.
Quem corre desabrida
Sem ceder a concha do ouvido
A ninguém que ela discorde
É esta
Selvagem sombra acavalada que faz versos como quem morde.

Waly Salomão



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