
que medo louco
que ilusão maldita
que me persegue
que acaba com minha manha
que destrói minha manhã
o que fazer quando remédios perdem o efeito?
o que fazer quando se têm a consciência de que não há jeito?
tudo começa, termina comigo
devorar-me, para renascer
morrer, para poder viver
digerir cada aspecto de mim
viver minha morte
ser minha vida
reconhecer cada traço
esquecer cada caracter
fora de si é metáfora para o encontrar
degustar
enfrentar
experimentar
expelir o pior de mim
afinal o que extirpo também não é parte de mim?
tudo começa onde termina
ciclo sem início
do submundo
emergir no consciente
me beliscar
mordiscar
engolir
me devorar
me fuder,
me comer,
querer,
me morder.
o medo só acaba
quando se digere a consciência
de que não há fim.








