reflexo de um sentimento. de uma percepção.
só reflexo.
são reveladores,
não verdadeiros,
são espelho.
mostram o que não queremos ver.
apesar de serem mentira
chegam com a força da verdade.
o reflexo é apenas reflexo,
mas dói,
e fere.
.
não economizo nas palavras.
por outra, meu verbo é desperdício.
you got my heart, you got my soul,
you got the silver, you got the gold.
custa acreditar que o silêncio seja verdadeiro,
é estratégico.
um quê maquiavélico,
a cortina escondendo o palco.
o não dizer para não dizer.
o anti-espontâneo.
não consigo não dizer.
corro o risco.
minha ansiedade é ânsia.
e é natural.
pura.
vomito o que sinto sob quem amo,
e sob quem desprezo.
que o outro faça o devido filtro,
como tantas vezes sou obrigado a fazer,
simplesmente para deixar as coisas como estão
como são.
let it bleed.
não só conheço os cordéis que me manipulam
como também os admiro.
admiro a forma como foram criados
não por mim – não carrego essa culpa
nem por meus pais – embora freud veladamente afirme
eles foram criados pela natureza
pelo acaso
pelo ocaso
por um outro eu
que não eu.
no momento que os conheço me liberto
quando os admiro, me supero,
com a ajuda e a companhia
de um espelho de mim,
me transformo,
num espelho de mim.
.
antes tinha medo do escuro
hoje tenho medo do silêncio.
o zumbido do ar condicionado. as noites surdas e mudas.
o vazio.
no silêncio,
numa esquizofrenia light,
ouço as vozes de mim mesmo.
e descobri que não tenho medo de ficar só,
tenho medo de mim.
medo de mim e de meus demônios.
por isto 3 celulares sempre ligados.
sempre conectado à rede.
é sede.
sede por retorno.
a falta de sinais me arremessa para infância.
mas há uma saída:
a mesma luz que apagava os fantasmas,
hoje espanta os demônios de mim.
- consciência -
i’ll follow the sun.
.