19
nov
06

The Long Tail e a Pirataria

Pouco mais de 6 meses atrás li pela primeira vez um artigo que falava da “cauda longa”. O material me chamou bastante a atenção pois conseguiu colocar em palavras e em gráficos uma mudança no mercado que estava ficando cada vez mais evidente. Estavamos saindo de um mercado de massa para um mercado de nichos.

Hoje, mais lucrativo do que investir em Blockbusters e hits, é poder oferecer centenas e milhares de produtos voltados a nichos especificos. Isso tornou-se possível com a evolução dos meios de transporte de cargas e da internet, que relativizaram completamente a noção de tempo e espaço.

Hoje não preciso mais de estoque, armazem, plateleiras, prazos, caixas e grandes investimentos em marketing e distribuição… Basta um site na internet e de um bom sistema de logistica. A cauda longa finalmente aposentou os 4 P’s do marketing.


Animado com a grande descoberta, comentei com meu irmão sobre o artigo e sobre o livro. O banho de água gelada veio logo em seguida: “essa teoria é para americano, mercados desenvolvidos e com grande uso de internet… vai demorar 50 anos para chegar no Brasil.”

Concordei. Coloquei meu livro em baixo do braço e continuei pretending que não moro num país tropical.

Em paralelo a essas leituras e discussoes, como a maioria de voces ja sabe, estou numa empreitada musical e comecei a vivenciar o mercado fonográfico no Brasil. E comecei a entender melhor os beneficios da pirataria. Isso mesmo, a pirataria tem beneficios.


Em essencia, além de ser ilegal, a pirataria na musica é uma forma organica e de baixissimo custo de produção e distribuição. Orientada não por investimento em marketing, mas sim pela demanda natural do público. Não tô discutindo mérito ou causa, mas só o efeito.

Lógico que todas as pessoas que tem algum direito sobre a música (propriedade) perdem. O governo também deixa de arrecadar impostos e bla bla bla… Mas o fato é que a pirataria, como a internet, de certa forma democratiza a música ao facilitar o acesso e a própria divulgação.

O efeito da pirataria é parecido com o da cauda longa: os hits “obvios” vendem menos, e os calipsos, calcinha preta e etc… aparecem como grandes sucessos de público e até mesmo de venda de produtos não-piratas.

A diferenca básica é que nos paises desenvolvidos aparentemente as grandes surpresas são os produtos de nicho e com qualidade teoricamente superior aos grandes hits. Digo teoricamente porque temos exemplos como o CSS (cansei de ser sexy) que é um lixo brasileiro que caiu no gosto internacional via myspace.

No Brasil o que aparece são coisas como o Arrocha, o Calipso, etc… Como dizia o outro: cada qual com seu cada qual.

O fato é que seja com pirataria, seja com myspace, o consumidor esta assumindo cada vez mais as rédeas do mercado. Compra o que quer, quando quer pelo preço que quer. Em Aracaju ou na big apple, todos tem de estar preparados para essa nova realidade.

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2 Responses to “The Long Tail e a Pirataria”


  1. 1 ::Soda Cáustica::
    novembro 20, 2006 às 4:40 pm

    muito bom. já tá nos meus favoritos e “indicáveis”.

  2. 2 Fabiano
    novembro 20, 2006 às 5:36 pm

    Falae mister.
    Essa semana que passou fui à uma reunião e os caras falaram em long tail e eu disse o que o seu irmão tb disse, que aqui vai demorar pq a internet não tem o alcance devido. Me disseram que em 2 anos no máximo isso muda. Duvidei. Mas eu acho que no nosso caso, e do HAJOE em específico, funciona muito. abraço


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