09
jul
07

Jornal

Não consigo me lembrar da primeira vez que pus as mãos num jornal. Confesso que nunca foi muito minha praia aquela papelada meio suja. O ponto talvez seja o fato de que a maioria das pessoas lê os jornais no café da manhã, e eu sempre pulo esse momento para acordar um pouco mais tarde. Enfim, nao sei explicar porque não lia muito jornal.

Meu primeiro contato mais periodico com os periódicos foi o caderno dois do correio da bahia. Na segunda-feira tinha umas crônicas legais de Hagamenon Brito, na quarta uma página inteira sobre música e aos domingo a coluna sobre o mundo do carnaval com meu amigo Marrom. Eu ia direto nessa página.

Até hoje ainda sigo um pouco essa frequencia.

Sempre fui ligado em internet. Desde de 1994 estou de alguma forma conectado à rede. E o primeiro contato com o jornal on line foi fundamental. Tudo começou com as colunas de José Simão na Folha de São Paulo e de Arnaldo Jabor que na época era colunista do mesmo jornal.

Hoje sou viciado em jornais e em informação on line. Leio diariamente a folha, o globo, correio, a tarde, jornal do commercio e o guardian. Sem contar os blogs, que ao meu ver irão dominar o mundo das informaçoes acompanhando a evolucao da democratizaçao da internet pelos paises em desenvolvimento.

Dizem que a leitura de jornais on line é uma experiencia diferente. Concordo, mas é a unica que conheço. O jornal sujo e a sensação de finitude me desanima um pouco. Em relação a internet o jornal físico já sai da gráfica desatualizado. Hoje nem tenho assinatura em casa. Tudo eletrônico.

Tenho convicçao que todos esses veiculos mais cedo ou mais tarde vão migrar para o mundo eletrônico. Feliz daqueles que já estão dando os primeiros passos.

Incluo ai as revistas semanais e excluo os tablóides populistas e sensacionalistas. Esses estarão sempre sendo distribuidos praticamente de graça nas esquinas para atender a interesses políticos com a grande massa classe D e E que vota, mas que não tem acesso a internet. Teriam uma importância social informativa se esta fosse a proposta de sua existência.

Passeando pela internet encontrei um jornal indiano que é totalmente escrito a mão. Isso mesmo. Um grupo de caligrafistas passa a noite escrevendo o jornal num dialeto indiano para ser distribuído no dia seguinte. Talvez seja o único jornal no mundo que ainda é escrito a mão. Não é que o autor ainda não tenha tido o prazer de conhecer gutemberg. A questão é poética e estética. O dono do jornal acredita que a língua dele, o Urdu, fica mais fluida, mais bonita, na caligrafia escrita, e não digitada. Justo.

Num mundo tão louco há também as novas experiências de jornais criados pela multidão. Pois é, os jornais são escritos por grupos de colaboradores voluntários, num processo de criação coletiva. A vantagem é que os grandes conglomerados de mídia dificilmente chegam onde essas fontes conseguem chegar. É a globalização trazendo a tona o que acontece no bairro, na esquina de cada individuo.

Totalmente escrito pela comunidade, o primeiro a seguir essa linha foi o sul-coreano http://www.ohmynews.com. Surgiu em fevereiro de 2000 com o slogan “every citizen is a reporter” e já em 2002 teve um importante papel nas eleições presidenciais desse país. A primeira entrevista oficial do presidente eleito foi para o ohmynews. Em 2006 recebeu um investimento de 11 milhões de dólares de um banco japonês e hoje, apesar do fracasso da experiência japonesa, ainda é a referência do segmento.

O grande desafio nesse tipo de formato é encontrar um meio dinâmico e sistemático de se organizar toda essa informação produzida por segundo. O aumento de espaços democráticos para publicação como os blogs, wikis e esses tipos de jornais também provoca um aumento proporcional da quantidade de material produzido. Sem duvida estamos produzindo mais informação hoje do que há alguns meses atrás.

E muita gente, eu me incluindo, não sabe lidar com esse volume. É como o livro de areia de Borges, aquele em que novas paginas vão surgindo ao passo que você vai folheando… nunca acaba. Eu tenho uma relação quase obsessiva com a internet. É gula. Sou capaz de passar horas e horas navegando e aprendendo coisas sobre os assuntos mais absurdos, como por exemplo esse jornal indiano.

Talvez por isso tenha essa necessidade também de me incluir nesse universo criativo com esse humilde blog, para quem sabe um dia ser publicado num dos sujos e desatualizados tradicionais jornais impressos.

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  • Vou-me embora para Bahia, terra onde o mercúrio retrógrado não faz a menor diferença. 1 hour ago

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