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Cultura, Mercado e Exemplo



Há 2 anos optei por pautar minha vida e minha carreira pela cultura.

Muitos acham loucura a possibilidade de trocar uma potencial carreira na comunicação pela vida de produtor cultural. Eu também acho. Vou em busca de sonhos, mas não tenho vocação para Don Quixote tupiniquin e muito menos para ser um eterno produtor cultural com centenas de projetos não realizados numa mão e dividas na outra. Meu foco é ter sucesso, meu tesão é realizar.

Ressalva feita, pontuo: vejo na produção cultural brasileira uma real oportunidade de fazer dinheiro.

A publicidade acabou, ninguém acredita mais nos comerciais de 30 segundos, que no futuro próximo terão função meramente informativa e sobrevida garantida apenas pela repetitiva comunicação de varejo. Uma comunicação que, vista como um todo, destrói marcas muito mais do que constrói. Enquanto não se consolida como commodity, a sua veiculação segue, e a ainda vai seguir um tempo, por inércia e comodismo.

As marcas já não querem mais propaganda – buscam verdade, buscam conteúdo. Conteúdo ligado à marcas através dos mais variados meios, textos e contextos – eventos, blogs, cinema, teatro, internet, ipod, celular – isto é a nova publicidade. E se cultura é conteúdo, hoje conteúdo é dinheiro.

A cultura tem que entrar no mercado e abandonar o hábito assistencialista que a acompanha no Brasil desde sempre. As leis de incentivo são importantes, mas não podem criar dependência. Antes se falava de artistas independentes, e hoje o que existe são artistas dependentes. A lei Rouanet é o bolsa família desses artistas, e vai se tornando cada vez mais difícil viver sem ela.

Pode parecer uma blasfêmia, mas projetos culturais podem sim trazer resultado comercial para seus clientes sem perder sua essência. A arte sempre viveu do mecenato – agora vamos viver a era do mecenato das marcas. Trocar os Medicis pelos anunciantes.

Tanto publicitários quanto produtores culturais têm de aproveitar esta oportunidade e mudar a atitude para não ter que mudar de ramo.

É comum ao produtor cultural pedir patrocínio como quem pede ajuda, como quem pede uma esmola. Isso está no sangue e no discurso. Acredito que patrocínio não se pede, por outra – se oferece. Se oferece por que tem valor, porque o projeto é imperdível, porque se você não comprar, seu concorrente irá fazê-lo. Porque é um negócio e não caridade.

Projetos culturais devem ser embalados para presente e transformados em produtos. Só serão viáveis comercialmente se puderem demonstrar claramente o retorno que dão aos seus patrocinadores. Não basta contar com a mídia espontanea, um retorno mínimo de mídia deve ser garantido. Como conteúdo, deve se adaptar e se espalhar como vírus por todas as novas plataformas disponíveis – da internet ao iphone. Utilizar de forma inteligente o long tail da mídia de massa a favor. E faturar ainda mais com o licenciamento do conteúdo para a tematização de produtos e serviços.

Que fique claro: não estou aqui defendendo a merchandisingtização das produções culturais. Longe disso. Esse seria o caminho simples. Ao invés das marcas invadirem o conteúdo, a oportunidade está exatamente no oposto – no conteúdo permear e abraçar o universo de cada marca.

A produção tem que se tornar uma febre. Febre como o espetáculo Equus, sucesso desde 1972 e que movimentou o mundo com sua ultima montagem em Londres. Febre como o Afroreggae, como a trilha de Lisbela e o Prisioneiro que liderou as paradas dos rádios e do download de ring tones, como Irma Vap que passou anos em cartaz e como Tropa de Elite, que transviou o mercado e usou da pirataria – a internet do pobre – para se tornar febre nacional.

Todas as áreas têm seus modelos, seus visionários. E no topo da nova produção cultural brasileira está Monique Gardenberg. Ela é a sintese, o modelo e o espelho otimista do futuro da cultura no país. A cultura que já deu certo. A cultura que ganhou o mercado.

Seu nome é sinônimo de qualidade e de retorno. Neste ano conseguiu o que parecia impossível e aumentou ainda mais o nível do melhor festival de musica do Brasil, do roteiro à direção, produziu “” Ó paí ó”, um dos maiores sucessos do cinema nacional, que em 2008 vai para televisão, dirigiu o show musical mais polêmico dos últimos anos com Ana Carolina e ainda outros espetáculos nem um pouco superficiais e ainda assim comerciais, como “os sete afluentes do rio ota”, com 5 hs de duraçao, sucesso de publico e crítica.

Monique Gardenberg e a Dueto é a prova de que é possível ter sucesso com produções de qualidade no Brasil. A prova de que o mercado cultural brasileiro ainda tem muito a oferecer para quem o explora com competência e dignidade.

Fico feliz em constatar que os caminhos estão abertos e que o futuro, como não poderia deixar de ser, está na arte, na cultura e no conteúdo.

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1 Response to “Cultura, Mercado e Exemplo”


  1. 1 Arthur
    dezembro 11, 2007 às 10:37 pm

    Acho que os pontos são muito pertinentes e bem colocados. Acho que esta na hora de acabar com a Bolsa Familia dos artistas… para ver de fato quem produz conteudo que faça alguma diferença.

    Parabéns pelas metaforas muito bem colocadas, como a do fome zero e da internet dos pobres.

    Abs
    T


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