22
jul
08

buda||pest – II


nem sempre sou assim.

há momentos de euforia, que podem durar horas, talvez dias. são como sonhos, em que, com o raciocínio rápido como um flecha e senso de humor felino, vivo feliz, mas me falta consciência. como diz schopenhauer, se a felicidade é sonho, a dor é real.

10 anos antes estava na mesma budapest. com os mesmos amigos. quase todos. desta vez no verão. fora uma viagem organizada às pressas, sem muito planejamento. estranho como essas iniciativas não planejadas acabam sendo as melhores. na realidade foi um conjunto de coincidências – ou sincronicidade – que fez com que todos estivéssemos no leste europeu no mesmo período. daí para rever roteiros e viabilizar o grande encontro seria fácil.

eu, como sempre, planejara viajar sozinho. confucio disse que ““é bom habitar entre os homens, e desfrutar de companhia. quem escolhe o deserto ou é descendente de anjos ou ainda não descobriu a sabedoria”. e eu já desconfiava qual era meu caso.

marcamos o encontro num restaurante italiano na vaci utca, principal walking street para turistas na cidade. no final da rua há uma praça, o belíssimo mercado municipal e um macdonald’s.

chamava-se “via luna”, e era uma daquelas cantinas baratas que servem pizza em massa de batata. as garçonetes pareciam abduzidas de filmes pornos da decada de oitenta, com maquiagem e cabelos inspirados nas bruxas de greenwich. apesar de tudo era bem localizado, com preço adequado e com um cardápio que não oferecia grandes riscos.

sempre sou o primeiro a chegar, mas desta vez não. enquanto caminhava pelo meio dos turistas já ouvia ao longe as risadas. era uma mesa grande, e eu mal podia esperar para chegar. estava feliz, seguro, inspirado, e sabia disso.

abraços, beijos, risos e em poucos segundos já estava conversando mais uma vez com johnnie. brincava com tudo e com todos, mas sobretudo comigo mesmo. disparava piadas. ria e fazia rir com minhas histórias na maiora das vezes reais, mas sempre com um toque de invencionice. naquele contexto todos já sabiam que as histórias eram muito menos interessantes do que a forma como eram contadas. naquele momento eu era o centro das atenções, e estava feliz.

a maioria das pessoas já se conheciam, mas sempre há um conhecido que traz outro, ou uma amiga que não viaja sozinha e leva outras amigas. e no meio daquele grupo heterogenio havia um grupo de dinamarquesas. três. a dinamarca é fascinante por ser cosmopolita e hippie ao mesmo tempo, é união européia mas também é groelândia. e seu povo e suas mulheres seguem a mesma linha. quando feias são meio vikings, meio trolls. quando belas são belíssimas e languidas, pequenas sereias. e este era o caso das três. sorte.

chamei a atenção de uma delas, que chamou minha atenção. foi mútuo, instantâneo e simultâneo. raro. apesar do meu carisma, que vai e volta, o sincronismo é raro. normalmente ela quer e eu não quero. ou eu quero e ela não quer. sendo que a primeira variável é a mais freqüente.

desta vez nós dois queríamos.

[ … ]
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


pedro:

colunas

www.pedrotourinho.me

Arquivos


%d blogueiros gostam disto: