17
mar
09

redemption

somos racistas.

somos vítimas de estereótipos culturais históricos. somos vítimas de um preconceito inconsciente colocado e reforçado diariamente em nossas mentes. como o doente que não mais sente a própria perna, nós continuamos a nos ferir, exatamente por não sentir a dor.

disfarçado de boas intenções, camuflado em sorrisos amarelos, transformado e renomeado ‘preconceito social’. vitimas de um perigoso e injusto silogismo. brancos, amarelos, pardos ou negros temos a ilusão de um controle que não temos.

esta consciência, que por um lado parece nos redimir, na realidade aumenta ainda mais nossa responsabilidade em relação ao futuro. se “liberdade é conhecer os condões que nos manipulam”(spinoza), redenção é de alguma forma lutar contra eles.

“emancipate yourselves from mental slavery, none but ourselves can free our minds.”(marley)

a consciência do problema já está ai. a questão agora é: – o que vamos fazer com ela?

é a consciência com atitude que nos define.

[a sugestão deste vídeo veio do blog do zeca]

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4 Responses to “redemption”


  1. 1 Adriana
    março 18, 2009 às 12:05 am

    sera que conseguimos nos livrar dos estereotipos?
    por mais que eu faca esse exercicio diariamente, tambem noto que ha uma clara razao para alguns existirem….
    ja botei seu link la no meu blog 😉
    bjo

  2. março 18, 2009 às 7:13 am

    a “clara razão pra eles existirem” é, em geral, a manutenção do status-quo. Ou seja, a justificação (intelectual e moral) de que as coisas são assim por são; e que não há nada mais a fazer. Ou seja, é uma justificação (e não explicação) do racismo; o que, pelo menos, demonstra uma consciência da dominação – mas à distancia, nos outros. Não sendo assim merecedor do próprio esforço. E isso já é outro problema por si só.

    Mas enfim – somos racistas. Obrigado por deixar tão claro.(principalmente num post com Spinoza e Bob Marley no mesmo paragráfo). Nós somos vítimas de estereótipos culturais históricos. Mas não é só isso; somos também sustentadores de uma estrutura social que sofre dos mesmos males, e faz com que – alem da auto-estima – algumas pessoas tenham que lidar com vários outros obstáculos para obter satisfação pessoal e familiar. É foda.

  3. março 26, 2009 às 10:01 am

    de saramago:

    Questão de cor
    Março 26, 2009 by José Saramago

    Diálogo num anúncio de automóveis na televisão. Ao lado do pai, que conduz, a filha, de uns seis ou sete anos, pergunta: “Papá, sabias que a Irene, a minha colega da escola, é negra?” Responde o pai: “Sim, claro…” E a filha: “Pois eu não…” Se estas três palavras não são precisamente um soco na boca do estômago, uma outra coisa serão com certeza: um safanão na mente. Dir-se-á que o breve diálogo não é mais que o fruto do talento criador de um publicitário de génio, mas, mesmo aqui ao lado, a minha sobrinha Júlia, que não tem mais que cinco anos, perguntada sobre se em Tías, localidade onde vivemos, havia negras, respondeu que não sabia. E Júlia é chinesa…

    Diz-se que a verdade sai espontaneamente da boca das crianças, porém, vistos os exemplos dados, não parece ser esse o caso, uma vez que Irene é realmente negra e negras não faltam também em Tías. A questão é que, ao contrário do que geralmente se crê, por muito que se tente convencer-nos do contrário, as verdades únicas não existem: as verdades são múltiplas, só a mentira é global. As duas crianças não viam negras, viam pessoas, pessoas como elas próprias se vêem a si mesmas, logo, a verdade que lhes saiu da boca foi simplesmente outra.

    Já o sr. Sarkozy não pensa assim. Agora teve a ideia de mandar proceder a um censo étnico destinado a “radiografar” (a expressão é sua) a sociedade francesa, isto é, saber quem são e onde estão os imigrantes, supostamente para os retirar da invisibilidade e comprovar se as políticas contra a discriminação são eficazes. Segundo uma opinião muito difundida, o caminho para o inferno está calcetado de boas intenções. Por aí creio que irá a França se a iniciativa prospera. Não é nada difícil imaginar (os exemplos do passado abundam) que o censo possa vir a converter-se num instrumento perverso, origem de novas e mais requintadas discriminações. Estou a pensar seriamente em pedir aos pais de Júlia que a levem a Paris para aconselhar o sr. Sarkozy…


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