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abr
09

paul mccartney – redemption songs

paulmccartneyA escolha das músicas de um repertório pode dizer muita coisa sobre a mensagem que o artista quer passar ao público durante seu show. Paul McCartney, 66, sabe disto, e tinha muito a dizer naquela primeira noite do Coachella Festival, no deserto californiano.

Já fazia muitos anos que Paul não tocava para um público tão jovem e diverso quanto o daquela noite. Nos 10 anos do Festival, Dividiu o lineup do dia com bandas como Franz Ferdinand, Morrisey, Ting Tings, Buraka Som System e Molotov. Sem dúvida não era um show qualquer pra um público qualquer.

O que esperar de uma apresentação de Paul? 4 ou 5 músicas do tempo do Wings, 5 ou 6 mais atuais da carreira solo e alguns dos seus hits preferidos dos Beatles, entre eles ‘Yesterday’ e ‘Hey Jude’.  Nada mais, nada menos. Mas aquela não era uma noite qualquer, e Paul fez a mesma coisa de sempre, só que de um jeito diferente.

Como que deixando claro que tratava-se de Rock, começou com ‘Jet’ (Wings) e ‘Drive My Car’, uma escolha não obvia dos Beatles. Seguiu com ‘Only Mamma Knows’, ‘Flaming Pie’ e ‘Got to Get You Into My Life’, até que tocou a música que selou a paz entre ele e John Lennon no início da carreira solo de ambos: ‘Let Me Roll It”.

Já sem a jaqueta, ao piano tocou ‘Long and Winding Road’, visivelmente emocionado. Naquele noite, 17 de Abril, fazia 11 anos que Linda McCartney tinha falecido no deserto do Arizona. “She loved the desert, she loved Rock n’Roll, she loved it all.” E dedicou a música anterior e a seguinte, ‘My Love’, a Linda. “It’s an emotional day for me. That’s good… that’s ok.”

Se o deserto parece o lugar certo para fazer as pazes com o passado, Paul não queria perder a oportunidade naquela noite. Em ‘Here Today’, travou uma conversa imaginaria com Lennon, “you were in my song, here today”. Paul sabe que John Lennon, muito mais do que ele próprio, estaria totalmente em casa num festival como o Coachella.

Depois de mais um set com músicas de Fireman, Band on The Run, e até um vídeo com o semblante de Obama durante a música ‘Signs of Change’, Paul puxa um ukelele, instrumento musical parecido com uma guitarra havaiana, que lhe foi presenteado por George, e dedica a ele a música ‘Something’. Muitos não conseguiram conter as lagrimas na plateia de mais de 50 mil pessoas.

Com se John e George estivessem no palco, Paul ficou mais a vontade e tocou uma sequência de hits dos Beatles como ‘I’ve Got a Feeling’, ‘Paperback Writer’, ‘Let It Be’, ‘Hey Jude’, ‘Can’t Buy me Love’, ‘Lady Madonna’, ‘Birthday’ e ‘Yesterday’.

Num dos momentos mais emocionantes do show, tocou ‘A Day in the Life’, talvez a música que deixa mais clara a diferença entre os mundos de Paul e John e como o encontro disso tudo pode ser maravilhoso e apoteótico. Entoou o coro pacifista de Lennon ‘Give Peace a Chance’, transportando o público jovem do Coachella aos anos 70, e ao mesmo tempo reafirmando que cantar “paz e amor” jamais sairá de moda.

No último bis, ‘Helter Skelter’, ‘Get Back’ (“do you want to get back? I want to get back!”), ‘Sgt Pepper’ e ‘The End’. Nunca subestime a força de um Beatle, diziam os jornais americanos no dia seguinte.

Em festa com sua história e com as pessoas que fizeram parte dela, talvez a mensagem de Paul daquela noite pudesse ser resumida pelo seu último verso no show: “and in the end the love you take is equal to the love you make”. Paul McCartney deu e recebeu muito amor naquela noite no deserto de Coachella, noite que jamais poderia ser uma qualquer.

[ integra do artigo originalmente públicado na minha coluna no http://www.onspeed.com.br ]

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4 Responses to “paul mccartney – redemption songs”


  1. abril 21, 2009 às 2:50 pm

    Uau!
    Que show maravilhoso! Vc é um cara de sorte!

  2. maio 18, 2009 às 11:28 am

    posso sentir uma invejinha??? rs
    E viva o Paul!
    Abraço Pedro

  3. 3 Nanda Costa
    junho 29, 2009 às 7:53 am

    “Nunca subestime a força de um Beatle”.
    Belo artigo. Emocionante!

  4. 4 Lívia
    dezembro 13, 2009 às 7:16 pm

    A frase finala dele…ESPETACULAR…
    com certeza, nunca subestime a força de um beatle


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