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16
maio
09

Man with Kaleidoscope Eyes

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Como transformar música em gravura? Som em cores? Ritmo em forma?

Só nesta última semana consegui ir a exposição Tripping the Art Fantastic, maravilhosamente psicodélica na Mr. MusicHead Gallery, Sunset Blvd, de um artista chamado Alan Aldridge. Sua especialidade: – traduzir música.

Segundo Nick Mason do Pink Floyd: “Who needs drugs when Alan is available to translate music into visual imagery?”

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Sua grande obra foi o livro “The Beatles Lyrics Illustrated”, lançado em 1969 e hoje peça de colecionadores. Depois disso fez muitos outros trabalhos ainda com os Beatles, Rolling Stones, fez o celebre cartaz do filme de Andy Warhol, Chelsea Girls, capas de discos do The Who, Elton John, e Incubus.

Ano passado ele lançou uma biografia/exposição/coletanea de seus trabalhos chamada “Alan Aldridge – the Man with the Kaleidoscope Eyes”, que até pouco tempo estava exposta no Design Museum em Londres. Além das gravuras, o livro contem entrevistas incríveis com a maioria dos artistas com quem ele trabalhou.

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Conhecer o trabalho de Alan Aldridge é reviver a necessidade que aquela geração tinha de traduzir visualmente a explosão de sensações que passaram a experimentar depois da descoberta dos efeitos lisérgicos da música e da liberdade.

A exposição esta somente esta semana na Mr. MusicHead Gallery, 7511 W Sunset Blvd, aqui em Los Angeles. Mais informações sobre o artista no seu site.

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25
abr
09

o barulho da cozinha me incomoda.

ali, paralisado em frente ao espelho, tive medo de sair. não sabia o que me esperava, não sabia o que esperar.

23
abr
09

23 de Abril

sao-jorge

Deus adiante paz e guia,
Encomendo-me a Deus e a virgem Maria, minha mãe,
Aos doze apóstolos, meus irmãos,
Andarei neste dia, nesta noite
Com meu corpo cercado, vigiado e protegido
Pelas as armas de São Jorge

Jorge sentou praça na cavalaria
E eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham pés, não me alcancem
Para que meus inimigos tenham mãos, não me peguem, não me toquem
Para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam
E nem mesmo um pensamento eles possam ter para me fazerem mal

Armas de fogo, meu corpo não alcançará
Facas, lanças se quebrem, sem o meu corpo tocar
Cordas, correntes se arrebentem, sem o meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge

Salve Jorge.

19
abr
09

paul mccartney – redemption songs

paulmccartneyA escolha das músicas de um repertório pode dizer muita coisa sobre a mensagem que o artista quer passar ao público durante seu show. Paul McCartney, 66, sabe disto, e tinha muito a dizer naquela primeira noite do Coachella Festival, no deserto californiano.

Já fazia muitos anos que Paul não tocava para um público tão jovem e diverso quanto o daquela noite. Nos 10 anos do Festival, Dividiu o lineup do dia com bandas como Franz Ferdinand, Morrisey, Ting Tings, Buraka Som System e Molotov. Sem dúvida não era um show qualquer pra um público qualquer.

O que esperar de uma apresentação de Paul? 4 ou 5 músicas do tempo do Wings, 5 ou 6 mais atuais da carreira solo e alguns dos seus hits preferidos dos Beatles, entre eles ‘Yesterday’ e ‘Hey Jude’.  Nada mais, nada menos. Mas aquela não era uma noite qualquer, e Paul fez a mesma coisa de sempre, só que de um jeito diferente.

Como que deixando claro que tratava-se de Rock, começou com ‘Jet’ (Wings) e ‘Drive My Car’, uma escolha não obvia dos Beatles. Seguiu com ‘Only Mamma Knows’, ‘Flaming Pie’ e ‘Got to Get You Into My Life’, até que tocou a música que selou a paz entre ele e John Lennon no início da carreira solo de ambos: ‘Let Me Roll It”.

Já sem a jaqueta, ao piano tocou ‘Long and Winding Road’, visivelmente emocionado. Naquele noite, 17 de Abril, fazia 11 anos que Linda McCartney tinha falecido no deserto do Arizona. “She loved the desert, she loved Rock n’Roll, she loved it all.” E dedicou a música anterior e a seguinte, ‘My Love’, a Linda. “It’s an emotional day for me. That’s good… that’s ok.”

Se o deserto parece o lugar certo para fazer as pazes com o passado, Paul não queria perder a oportunidade naquela noite. Em ‘Here Today’, travou uma conversa imaginaria com Lennon, “you were in my song, here today”. Paul sabe que John Lennon, muito mais do que ele próprio, estaria totalmente em casa num festival como o Coachella.

Depois de mais um set com músicas de Fireman, Band on The Run, e até um vídeo com o semblante de Obama durante a música ‘Signs of Change’, Paul puxa um ukelele, instrumento musical parecido com uma guitarra havaiana, que lhe foi presenteado por George, e dedica a ele a música ‘Something’. Muitos não conseguiram conter as lagrimas na plateia de mais de 50 mil pessoas.

Com se John e George estivessem no palco, Paul ficou mais a vontade e tocou uma sequência de hits dos Beatles como ‘I’ve Got a Feeling’, ‘Paperback Writer’, ‘Let It Be’, ‘Hey Jude’, ‘Can’t Buy me Love’, ‘Lady Madonna’, ‘Birthday’ e ‘Yesterday’.

Num dos momentos mais emocionantes do show, tocou ‘A Day in the Life’, talvez a música que deixa mais clara a diferença entre os mundos de Paul e John e como o encontro disso tudo pode ser maravilhoso e apoteótico. Entoou o coro pacifista de Lennon ‘Give Peace a Chance’, transportando o público jovem do Coachella aos anos 70, e ao mesmo tempo reafirmando que cantar “paz e amor” jamais sairá de moda.

No último bis, ‘Helter Skelter’, ‘Get Back’ (“do you want to get back? I want to get back!”), ‘Sgt Pepper’ e ‘The End’. Nunca subestime a força de um Beatle, diziam os jornais americanos no dia seguinte.

Em festa com sua história e com as pessoas que fizeram parte dela, talvez a mensagem de Paul daquela noite pudesse ser resumida pelo seu último verso no show: “and in the end the love you take is equal to the love you make”. Paul McCartney deu e recebeu muito amor naquela noite no deserto de Coachella, noite que jamais poderia ser uma qualquer.

[ integra do artigo originalmente públicado na minha coluna no http://www.onspeed.com.br ]

18
abr
09

grito

scream

consequência da dor,
resultado do não grito.

retrato daquele segundo,
espasmo inconsciente da alma.

do vazio,
a densidade.

do ninguém,
duplas, triplas personalidades.

do silêncio,
as palavras.

sob o pretexto de confundir,
vã tentativa de explicar.

arte
expressão do indescritível.

17
abr
09

black is power, black is beautiful

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O Hip Hop é a celebração da cultura de periferia que venceu. Por tudo e apesar de tudo, venceu, é dominante e extrapolou os limites do Harlem e da MTV. Hoje o palco da cultura hip hop é o mundo, e um dos mais interessantes retratistas dessa cultura e linguagem é o artista plástico Kehinde Wiley, que abriu aqui em Los Angeles, no sábado, sua exposição “World Stages: Brazil”

Nascido em Los Angeles, estabelecido no Harlem em NY, Wiley é negro e só pinta negros. Retratos heróicos do status e da força que sua raça tem na cultura contemporânea. As pinturas, em telas muitas vezes enormes, espantam pelo realismo, e tanto em relação às referencias quanto pela técnica, são influenciadas pelas obras de arte renascentistas. Mas dá um passo além dos italianos: – Wiley agora coloca o negro no centro do universo. Black is Power, Black is Beautiful.

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E como todos que se propõem a colocar-se no centro do universo, o resultado acaba muitas vezes por soar arrogante. O que enquanto arte não é ruim. E aproxima ainda mais seu trabalho do Hip Hop, um genero que na sua própria definição  “it’s about people who were left out, people who want to sort of push their egos out into the world and have this bombastic, self-pleasing, misogynistic presence”.

Nesta exposição com foco no Brasil, Wiley retratou negros e mulatos cariocas, utilizando suas próprias roupas, mergulhados em estampas vibrantes, na maioria florais, num universo plástico urbano e barato . Morro, praia, carnaval e Flamengo claramente presentes. O resultado visual é uma apoteose de cores e expressão. É Brasil, mas vai além.

Observando toda a obra de Wiley, que navega por inspirações como o Hip Hop, o Harlem, a Africa e agora esta série no Rio de Janeiro, fica claro que a unidade de seu trabalho esta na capacidade de captar no negro um certo olhar de orgulho, um olhar que provoca, desafia, brinca. Um olhar com a força e a arrogância dos vencedores. Diferente do mais comum em Salvador, Havana ou New Orleans, é um orgulho negro desgarrado da matriz africana. O mérito deste olhar é consequencia do agora, não de quanto eles têm no bolso, mas do que eles representam na cultura hoje. A cultura do gueto que venceu.

Kehinde Wiley
The World Stage: Brazil
April 4 – May 30, 2009
Opening Reception Saturday, April 4th, 6 – 8pm

ROBERTS & TILTON
5801 Washington Boulevard
Culver City, California 90232
T 323.549.0223

[ publicado originalmente na minha coluna na http://www.onspeed.com.br ]

04
abr
09

mistério do planeta

podsvou mostrando como sou
e vou sendo como posso.

jogando meu corpo no mundo,
andando por todos os cantos.

pela lei natural dos encontros,

eu deixo,
e recebo um tanto.

passo aos olhos nus
ou vestidos de lunetas.

passado. presente.
participo sendo

o mistério do planeta.

novos.baianos




pedro:

  • Vou-me embora para Bahia, terra onde o mercúrio retrógrado não faz a menor diferença. 9 hours ago

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