Posts Tagged ‘beatles

16
maio
09

Man with Kaleidoscope Eyes

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Como transformar música em gravura? Som em cores? Ritmo em forma?

Só nesta última semana consegui ir a exposição Tripping the Art Fantastic, maravilhosamente psicodélica na Mr. MusicHead Gallery, Sunset Blvd, de um artista chamado Alan Aldridge. Sua especialidade: – traduzir música.

Segundo Nick Mason do Pink Floyd: “Who needs drugs when Alan is available to translate music into visual imagery?”

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Sua grande obra foi o livro “The Beatles Lyrics Illustrated”, lançado em 1969 e hoje peça de colecionadores. Depois disso fez muitos outros trabalhos ainda com os Beatles, Rolling Stones, fez o celebre cartaz do filme de Andy Warhol, Chelsea Girls, capas de discos do The Who, Elton John, e Incubus.

Ano passado ele lançou uma biografia/exposição/coletanea de seus trabalhos chamada “Alan Aldridge – the Man with the Kaleidoscope Eyes”, que até pouco tempo estava exposta no Design Museum em Londres. Além das gravuras, o livro contem entrevistas incríveis com a maioria dos artistas com quem ele trabalhou.

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Conhecer o trabalho de Alan Aldridge é reviver a necessidade que aquela geração tinha de traduzir visualmente a explosão de sensações que passaram a experimentar depois da descoberta dos efeitos lisérgicos da música e da liberdade.

A exposição esta somente esta semana na Mr. MusicHead Gallery, 7511 W Sunset Blvd, aqui em Los Angeles. Mais informações sobre o artista no seu site.

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19
abr
09

paul mccartney – redemption songs

paulmccartneyA escolha das músicas de um repertório pode dizer muita coisa sobre a mensagem que o artista quer passar ao público durante seu show. Paul McCartney, 66, sabe disto, e tinha muito a dizer naquela primeira noite do Coachella Festival, no deserto californiano.

Já fazia muitos anos que Paul não tocava para um público tão jovem e diverso quanto o daquela noite. Nos 10 anos do Festival, Dividiu o lineup do dia com bandas como Franz Ferdinand, Morrisey, Ting Tings, Buraka Som System e Molotov. Sem dúvida não era um show qualquer pra um público qualquer.

O que esperar de uma apresentação de Paul? 4 ou 5 músicas do tempo do Wings, 5 ou 6 mais atuais da carreira solo e alguns dos seus hits preferidos dos Beatles, entre eles ‘Yesterday’ e ‘Hey Jude’.  Nada mais, nada menos. Mas aquela não era uma noite qualquer, e Paul fez a mesma coisa de sempre, só que de um jeito diferente.

Como que deixando claro que tratava-se de Rock, começou com ‘Jet’ (Wings) e ‘Drive My Car’, uma escolha não obvia dos Beatles. Seguiu com ‘Only Mamma Knows’, ‘Flaming Pie’ e ‘Got to Get You Into My Life’, até que tocou a música que selou a paz entre ele e John Lennon no início da carreira solo de ambos: ‘Let Me Roll It”.

Já sem a jaqueta, ao piano tocou ‘Long and Winding Road’, visivelmente emocionado. Naquele noite, 17 de Abril, fazia 11 anos que Linda McCartney tinha falecido no deserto do Arizona. “She loved the desert, she loved Rock n’Roll, she loved it all.” E dedicou a música anterior e a seguinte, ‘My Love’, a Linda. “It’s an emotional day for me. That’s good… that’s ok.”

Se o deserto parece o lugar certo para fazer as pazes com o passado, Paul não queria perder a oportunidade naquela noite. Em ‘Here Today’, travou uma conversa imaginaria com Lennon, “you were in my song, here today”. Paul sabe que John Lennon, muito mais do que ele próprio, estaria totalmente em casa num festival como o Coachella.

Depois de mais um set com músicas de Fireman, Band on The Run, e até um vídeo com o semblante de Obama durante a música ‘Signs of Change’, Paul puxa um ukelele, instrumento musical parecido com uma guitarra havaiana, que lhe foi presenteado por George, e dedica a ele a música ‘Something’. Muitos não conseguiram conter as lagrimas na plateia de mais de 50 mil pessoas.

Com se John e George estivessem no palco, Paul ficou mais a vontade e tocou uma sequência de hits dos Beatles como ‘I’ve Got a Feeling’, ‘Paperback Writer’, ‘Let It Be’, ‘Hey Jude’, ‘Can’t Buy me Love’, ‘Lady Madonna’, ‘Birthday’ e ‘Yesterday’.

Num dos momentos mais emocionantes do show, tocou ‘A Day in the Life’, talvez a música que deixa mais clara a diferença entre os mundos de Paul e John e como o encontro disso tudo pode ser maravilhoso e apoteótico. Entoou o coro pacifista de Lennon ‘Give Peace a Chance’, transportando o público jovem do Coachella aos anos 70, e ao mesmo tempo reafirmando que cantar “paz e amor” jamais sairá de moda.

No último bis, ‘Helter Skelter’, ‘Get Back’ (“do you want to get back? I want to get back!”), ‘Sgt Pepper’ e ‘The End’. Nunca subestime a força de um Beatle, diziam os jornais americanos no dia seguinte.

Em festa com sua história e com as pessoas que fizeram parte dela, talvez a mensagem de Paul daquela noite pudesse ser resumida pelo seu último verso no show: “and in the end the love you take is equal to the love you make”. Paul McCartney deu e recebeu muito amor naquela noite no deserto de Coachella, noite que jamais poderia ser uma qualquer.

[ integra do artigo originalmente públicado na minha coluna no http://www.onspeed.com.br ]

10
nov
08

sitting in the english garden

I am he
As you are he
As you are me
And we are all together

.lennon

25
out
08

it’s easy

There’s nothing you can do that can’t be done.
Nothing you can sing that can’t be sung.
Nothing you can say but you can learn how to play the game

It’s easy.

There’s nothing you can make that can’t be made.
No one you can save that can’t be saved.
Nothing you can do but you can learn how to be you in time

It’s easy.

There’s nothing you can know that can’t be known.
Nothing you can see that isn’t shown.
Nowhere you can be that isn’t where you’re meant to be.

It’s easy.

All we need is love.
Love is all we need.

[ lennon.mccartney ]

.

03
maio
08

i’ll follow the sun


(insonia)

antes tinha medo do escuro
hoje tenho medo do silêncio.

o zumbido do ar condicionado. as noites surdas e mudas.
o vazio.

no silêncio,
numa esquizofrenia light,
ouço as vozes de mim mesmo.

e descobri que não tenho medo de ficar só,

tenho medo de mim.
medo de mim e de meus demônios.

por isto 3 celulares sempre ligados.
sempre conectado à rede.

é sede.
sede por retorno.

a falta de sinais me arremessa para infância.

mas há uma saída:
a mesma luz que apagava os fantasmas,
hoje espanta os demônios de mim.

– consciência –

i’ll follow the sun.

.

04
jun
07

Strawberry Fields Forever

Nesses últimos dias estamos tendo uma grande oportunidade de ser bombardeados por centenas de materias relacionadas aos Beatles e ao seu álbum mais emblemático que acaba de completar 40 anos: Sgt. Pepper’s Lonely Heart Club Band.

Não vou me arriscar a escrever sobre os Beatles, porque acredito que tudo que há para se escrever sobre eles já deve ter sido escrito e porque tenho uma grande dificuldade em dissertar sobre unanimidades. Tenho medo de cair na mesmice.

Contudo posso afirmar que sem dúvida os Beatles são uma das minhas atuais obsessões, e se não vou escrever sobre os mesmos vou desabafar um pouco sobre meu relacionamento com eles e com sua obra.

Não sei dizer muito bem quando fui apresentado formalmente aos rapazes de Liverpool. As primeiras lembranças são as musicas nas aulas de inglês e um filme muito louco de 1978 que passava na sessão da tarde – “I wanna hold your hand” ou “Febre da Juventude” em português – em que uma das sacadas mais legais era fazer um filme sobre a Beatlemania sem mostrar o rosto de nenhum dos Beatles.

Lembro de ter ido também a alguns shows de uma banda cover chamada “Beatles in Senna” que eram extremamente divertidos.

Mas até ai confesso que nada disso era muito significante.

Por mais contraditório e fantástico que isso possa parecer, foi a Apple que me aproximou dos Beatles. Logo que comprei meu primeiro iPod coloquei por coincidência toda a coleção dos cds dos Beatles que meu irmão tinha em casa e comecei a ouvir aleatoriamente. Hoje não consigo viver sem eles.

São musicas para todos os momentos de nossa vida. Eleanor Rigby para quando se quer ficar sozinho, Blackbird para dar esperança, Sgt. Peppers para divertir, Here comes the sun para acordar de bem com a vida, Something para deixar-se apaixonar e tantas outras musicas para tantos outros momentos.

E o sonho não acabou e não vai acabar, pois mesmo após quase 30 anos do fim do grupo sua obra continua viva, emocionando e mudando a vida de milhares de pessoas pelo mundo.

A historia dos Beatles prova que a eternidade só é possível através da arte.

09
jan
07

Octupus’s Garden ou Love II


Não consigo falar de outro assunto que não a trilha sonora do Show Love to Cirque du Soleil.

Inacreditável.

É uma obra de arte. 130 gravações originais dos Beatles foram misturadas, sampleadas, re-produzidas, re-imaginadas e transformadas em 27 faixas de tirar o folego, pelo hoje reconhecido quinto beatle, George Martim ,e pelo seu filho Giles Martim. Os arranjos foram feitos de forma que o ritmo e a letra de uma música se funda e se confunda com a faixa seguinte, sem nos dar tempo de respirar.

O espetaculo em si surgiu de bate papo em meados de 2000 entre George Harrison, que não chegou a ver a obra terminada, e Guy Laliberté, um dos fundadores do Cirque du Soleil. Depois de 3 anos de negociação entre The Beatles, Olivia Harrison, Yoko Ono, Apple Corps Ltd, e MGM Mirage o espetaculo foi viabilizado.

Hoje o show é encenado diariamente no “The Love Theather” no Mirage em Las Vegas. A casa foi construida especialmente e sob medida para o espetaculo e foi fruto de um investimento de aproximandamente 100 milhões de dolares.

Sem duvida uma das transformações mais impressionantes é a da faixa que da titulo a esse post: Octupus’s Garden. Pra mim esta sempre foi junto com “All Together Now” uma das músicas mais bobas dos beatles. Sem duvida é uma das grandes surpresas do album.

Começa com a introdução de “Good Night” do White Album, e vai introduzindo a letra do Octupus’s Garden, com os ruidos do background de Yellow Submarine… com atenção dá pra ouvir John gritando “sensational!” durante um solo de guitarra.

Toda a psicodelia já contida na gravação original ficou evidente nesta versão.

Octopus’s foi a primeira… A cada semana vou me viciando em outra música do album.

Não sou capaz nem de imaginar a sensação de ver combinados a emoção e a história das músicas dos Beatles, a modernidade de versões feitas com amor e boa vontade a partir de originais e a força eficiente do impacto das performances do Cirque du Soleil.

O nome do show não poderia ser outro senão “Love”.




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