Posts Tagged ‘versos

04
out
09

ouroboros

Ouroboros_by_simonjova

que medo louco
que ilusão maldita
que me persegue
que acaba com minha manha
que destrói minha manhã

o que fazer quando remédios perdem o efeito?
o que fazer quando se têm a consciência de que não há jeito?

tudo começa, termina comigo
devorar-me, para renascer
morrer, para poder viver
digerir cada aspecto de mim
viver minha morte
ser minha vida

reconhecer cada traço
esquecer cada caracter

fora de si é metáfora para o encontrar
degustar
enfrentar
experimentar
expelir o pior de mim

afinal o que extirpo também não é parte de mim?
tudo começa onde termina

ciclo sem início
do submundo
emergir no consciente
me beliscar
mordiscar
engolir

me devorar
me fuder,
me comer,
querer,
me morder.

o medo só acaba
quando se digere a consciência
de que não há fim.

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17
jul
09

mind set

sBeataful

acordo cedo.

àquele dia não seria diferente.
abro meus olhos, tento adivinhar as horas.
torço para que seja bem tarde.
rezo para que metade do dia já tenha se esvaído
mas não há surpresa.

espero um sinal,
abraço o travesseiro.
minha mente acelera, meu corpo não.
minha alma inquieta,
meus músculos: intactos.

nada funciona,
sem forças para dormir,
nem o querer acordar.
o dia começa
com a mesma sem vontade
com que termina.

“I wonder should I call you
but I know what you would do.”

não há o que fazer,
não há o que dizer.
meu dia começa,
quando o seu termina.

19
jun
09

um segundo de arte

James-Dean-Wallpaper-james-dean-930850_1024_768

um segundo de arte
é suficiente.

êxtase,
emoção,
estética,
olhar.

como superar
aquele instante de luz?

e mais: –

o que esperar
do momento seguinte.

melhor,
maior,
diferente?
não importa.

um segundo de arte,
é um nome para sempre.

não me preocupa mais
como viver,
o que viver,
com quem viver.
viver de quê?

só importa
só viver.

pois de segundo em segundo,
se cria a eternidade.
de instante em instante,
se faz arte.

quando a obra torna-se maior que a vida,
somos verdadeiramente livres.

18
abr
09

grito

scream

consequência da dor,
resultado do não grito.

retrato daquele segundo,
espasmo inconsciente da alma.

do vazio,
a densidade.

do ninguém,
duplas, triplas personalidades.

do silêncio,
as palavras.

sob o pretexto de confundir,
vã tentativa de explicar.

arte
expressão do indescritível.

08
mar
09

non ducor, duco

não existe vitoria dividida

em toda relação,
há um grande,
há um pequeno.

papéis não declarados,
ainda assim claros.

o que guia,
outro que depende.

o que faz,
outro que vigia.

o que manda,
outro que segue.

como sair da armadilha de ser o outro?
como fugir do destino conduzido?

non ducor, duco.
0 vencedor é um só.

.

04
mar
09

mudo mudo

terça-feira me mudo.

mudo eu,
muda meu mundo.

mudo, penso calado.
mudo, crio fatos.

mudança acontece sempre,
estando perto ou longe

mudança não se escolhe,
segue o ritmo do mundo,

os passos do tempo,
a dança da vida.

mudo eu,
fica o pensamento.

muda eu,
levo a saudade.

tudo muda
só não a verdade.

‘leaving’ is easy with eyes closed…

.

09
jan
09

viciocio


tenho medo do nada.

fazer, significar,
ser, ter: – nada.

no ócio
surge o vício.

do vício, o erro.
do erro, a dor

como controlar obsessões
quando na mente vazia não há mais nada que valha a pena?

como ocupar de luz
esse espaço livre para a dor?

como silenciar a voz enlouquecida do ego
que insiste em envenenar a rotina?

como andar para frente,
quando cabeça, corpo e membros estão voltados para trás?

all you need is love?

.




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